Crítica – Homem-Aranha: Um Novo Dia

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Spider-Man: Brand New Day, EUA, 2026



Trailer · Letterboxd · IMDB · RottenTomatoes

★★★★☆


Além de ser mais uma ótima aventura do personagem título, Homem-Aranha: Um Novo Dia também representa mais um passo do MCU para introduzir os X-Men na franquia. Essa ainda é uma introdução bem tímida, mas boa o suficiente para vermos o Cabeça de Teia interagindo com vários elementos presentes nas histórias dos mutantes da Marvel. O filme também serve como um soft reboot para o personagem depois dos eventos de Homem-Aranha: Sem Volta para Casa, mostrando-o mais independente dos Vingadores, apesar de ainda interagir com alguns deles.

MJ e o homem-aranha

Assim como em vários outros filmes do Homem-Aranha e também no recente Thunderbolts*, há crises de identidade e de saúde mental no centro da trama de Um Novo Dia. Para quem não se lembra, no final de Sem Volta para Casa, o mundo inteiro se esquece da existência de Peter Parker (Tom Holland), apesar de ainda se lembrarem de suas ações como o Homem-Aranha. Agora, depois de anos sem amigos e sem entes queridos, a solidão e o isolamento começam a cobrar seu preço, chegando a provocar uma crise depressiva no personagem.

Essa crise desencadeia os sintomas físicos que os fãs vão reconhecer como o possível surgimento do monstro Aranha-Humana, uma criatura na qual Parker se transforma quando o DNA aracnídeo no seu corpo começa a tomar conta. Paralelamente, uma figura misteriosa está realizando vários ataques às diversas instalações da agência governamental Departamento de Controle de Danos (DCD), criada para conter ameaças superpoderosas depois dos eventos de Os Vingadores.

O fato de que esse misterioso vilão faz uso de controle mental para realizar seus ataques nos indica que ele pode ser um mutante telepata. Outra conexão com o universo dos X-Men é o fato de que o DCD está sendo liderado por William Metzger (Tramell Tillman), que nos quadrinhos é o líder de uma de várias organizações extremistas anti-mutantes. Além disso, na série animada do Homem-Aranha dos anos 1990, são justamente as instabilidades no DNA de Parker que o levam a procurar os X-Men, resultando em vários episódios nos quais o personagem interage com a equipe liderada pelo professor Charles Xavier.

Um Novo Dia também introduz uma tecnologia de supressão de genes mutantes, que é uma ferramenta amplamente utilizada pelos vilões dos X-Men em suas histórias. Dessa forma, fica claro como o filme está repleto de referências à principal equipe de mutantes da Marvel, mesmo sem introduzi-la oficialmente na franquia. A trama também dá pistas sobre como o vasto universo dos mutantes será integrado nesse extenso universo cinematográfico, já que não seria possível fingir que os mutantes já estavam há vários séculos dentre a humanidade, que é a origem oficial nos quadrinhos.

Depois da despedida parcial realizada em Deadpool & Wolverine, é possível que a velha guarda dos mutantes no cinema tenha sua despedida final em Vingadores: Doutor Destino (a ser lançado em dezembro de 2026), e só depois uma nova versão da equipe dos X-Men seja introduzida no MCU. Inclusive, nos momentos finais de Um Novo Dia, é possível perceber uma singela referência à Mansão X, no condado de Westchester: o casarão não é mostrado, mas é possível perceber que um importante personagem está passando pela floresta na qual ele está localizado.

homem-aranha e o justiceiro

Além de todas essas referências ao universo dos X-Men, Homem-Aranha: Um Novo Dia também conta com ótimas cenas de ação envolvendo Frank Castle/Justiceiro (Jon Bernthal), Bruce Banner/Hulk (Mark Ruffalo) e os ninjas assassinos da organização criminosa O Tentáculo (no original, The Hand, “a mão”). A dinâmica entre o Homem-Aranha e o Justiceiro também vai trazer boas lembranças para quem acompanhou a já citada série animada dos anos 1990, além de ser uma interessante novidade para quem vem acompanhando o trabalho de Bernthal como o Justiceiro desde a série Demolidor.

Nesse aspecto, o mundo de Um Novo Dia pode ficar um pouco confuso para quem acompanha as séries da Disney+. Teoricamente, esse mesmo Frank Castle e o mesmo Matt Murdock/Demolidor (Charlie Cox) estão presentes na Nova York do Homem-Aranha. Porém, o Demolidor jamais aparece nesse filme e o Homem-Aranha jamais aparece na série mais recente, Demolidor: Renascido, mesmo quando o prefeito Wilson Fisk (Vincent D’Onofrio) declara uma caçada aos vigilantes mascarados e coloca a cidade em estado de sítio.

O mais provável é que as produções não estão exatamente no mesmo universo, apesar dos personagens em comum serem interpretados pelos mesmos atores (o Murdock de Charlie Cox já havia participado de Homem-Aranha: Sem Volta para Casa). Esse tipo de problema sempre ocorreu no universo compartilhado dos quadrinhos, no qual sempre era difícil explicar o porquê de outros heróis não aparecerem quando um deles lidava com uma grande ameaça.

Mesmo com todas essas referências e participações, Um Novo Dia não tem dificuldade em manter o foco em Peter Parker e em seus dramas pessoais. Depois de ser esquecido por todos os Vingadores, por seu amigo Ned (Jacob Batalon) e por sua namorada MJ (Zendaya), ele jamais formou um novo círculo social e mergulhou de cabeça em seu “trabalho” como Homem-Aranha. Agora, ele vive em uma estressante ambivalência, sem necessariamente abrir mão do passado mas ainda sem reatar os laços de amizade que antes existiam.

Esse lado mais dramático do filme possui alguns paralelos com o ótimo Homem-Aranha 2, já que as batalhas pessoais e emocionais de Parker o ajudam a entender as motivações e a estabelecer um diálogo com o principal antagonista do filme. No ato final, enquanto o Justiceiro está mais interessado em resolver a situação “na bala”, o Homem-Aranha tenta mostrar que responder às tragédias da vida com uma violência brutal e niilista significa condenar a si mesmo a viver em uma prisão formada pela própria dor; e que, apesar das dificuldades, é preciso crescer e seguir em frente.

Essa temática não representa nenhuma novidade nas histórias desse super-herói e pode até ser considerada mais do mesmo. Porém, ela ainda é extremamente eficaz e garante que o personagem não se desvie de sua essência, permitindo que suas válidas lições de vida e de amadurecimento alcancem novas gerações. Esse aspecto também garante que Homem-Aranha: Um Novo Dia consiga ser uma genuína aventura do Homem-Aranha, combinando drama, comédia e muita ação para divertir e para inspirar a audiência.


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