Eleições: 8 Sinais de que você está votando contra você mesmo

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Atualmente, está sendo cada vez mais comum ver as pessoas votando contras os próprios interesses, apoiando candidatos que defendem medidas que prejudicam os próprios eleitores. Por causa disso, todos nós precisamos ficar alertas e prestar atenção nas escolhas que fazemos, ao invés de simplesmente nos deixarmos guiar por impulsos emocionais ou ideológicos.

Os oito pontos abaixo podem nos ajudar a refletir sobre isso e a identificar as possíveis mudanças necessárias em nossas abordagens políticas.

1. Você vota no candidato que é o mais parecido com você

Para começar, há as pessoas que preferem votar em candidatos que se parecem com elas mesmas, seja no jeito de se vestir, nas palavras utilizadas em seus discursos ou mesmo na afiliação religiosa. Há inclusive os casos de pessoas que levam em conta a aparência geral do candidato, avaliando se ele ou ela tem “cara de prefeito” ou “cara de deputado”.

O problema dessa abordagem é que nem todo mundo é o que parece ser. Por mais que algumas pessoas tenham a ilusão de que “conhecem” um candidato, o que elas realmente conhecem é a imagem pública que esse candidato tenta projetar. Há muitos casos de candidatos que parecem ser “gente como a gente” e que durante os seus mandatos apoiam medidas que não se alinham com essa imagem popular. Ou seja, eles falam uma coisa e fazem outra.

Uma forma de evitar esse erro é avaliar a experiência e as medidas que o candidato apoiou no passado e conferir se elas são consistentes com a imagem que ele está tentando projetar durante as eleições.

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2. Você não quer votar diferente das pessoas que você conhece

O comportamento de manada é um fenômeno real tanto entre animais quanto entre seres humanos. Se as pessoas ao seu redor passam muito tempo reclamando de um determinado político ou de um determinado tipo de político, a sua tendência será a de tentar manter a paz e o equilíbrio concordando com (e votando como) essas pessoas. Muitas vezes, você só conhece os pontos de vista delas e nem possui argumentos para discordar.

Porém, esse tipo de conformismo pode acabar prejudicando o seu pensamento crítico e o levando a votar em candidatos que estão contra o que você acha que é o melhor para o país.

Veja também: Por que investidores seguem a multidão? Entenda o comportamento de manada

3. Você já “investiu” demais para mudar de ideia agora

Talvez você seja o tipo de pessoa que tem certeza absoluta de que um determinado candidato ou um determinado campo político (direita ou esquerda) sejam muito bons ou muito ruins, chegando a ter sentimentos tão extremos quanto amor ou ódio pelo objeto de sua certeza. Inclusive, pode ser que você chegou a formar toda uma identidade pessoal ao redor desse posicionamento político.

É aí que a falácia do custo irrecuperável pode entrar em ação. Depois de passar meses ou até anos defendendo uma determinada posição política, você pode achar que já foi longe demais para mudar de ideia agora. Depois de todo o tempo e esforço dedicados ao posicionamento, você não está disposto a questioná-lo e precisa que, de alguma forma, esse posicionamento seja provado como o “correto”.

O problema é que nem sempre esse posicionamento imutável está de acordo com os seus melhores interesses. Uma forma mais saudável de lidar com a política é sempre avaliar caso a caso e conferir se o campo político que você insiste em defender realmente está defendendo o seu bem-estar.

Veja também: Como a falácia do custo irrecuperável atrapalha as decisões de investimento

4. Você não entende a relação entre as propostas dos candidatos e a sua vida

É claro que, para ter algum pensamento crítico, você precisa entender o relacionamento entre as medidas tomadas pelos governos (especialmente no Poder Legislativo) e os efeitos que elas têm sobre a sua vida e sobre o seu dia a dia. Esse entendimento da relação entre causa e consequência nem sempre é fácil de ser atingido, mas nós precisamos nos esforçar para saber no que exatamente nós estamos votando.

Mesmo medidas tomadas com as melhores intenções podem ter efeitos colaterais indesejados. Por exemplo, a regulamentação da compra de armas de fogo por CACs (colecionadores, atiradores desportivos e caçadores) visava facilitar o acesso desses grupos aos armamentos necessários para as suas atividades, mas acabou servindo também para facilitar o abastecimento do crime organizado.

Já no vídeo abaixo, é possível ver um exemplo de uma pessoa que se identifica com um determinado campo político mas que apoia as medidas comumente defendidas pelo campo opositor.

5. Você confia cegamente em influenciadores digitais

Há também os casos de pessoas que se consideram muito independentes e bem informadas, mas que vivem repetindo os argumentos prontos vindos de vídeos do Instagram, do TikTok e de outras plataformas de mídias sociais. O grande problema dessa abordagem é que a pessoa pode passar anos e anos avaliando os pontos de vista de apenas um dos lados ideológicos, ignorando completamente o argumento do lado opositor.

Porém, temas complexos precisam ser avaliados sob vários pontos de vista e contextualizados na realidade de cada pessoa, possibilitando assim que cada eleitor pondere os prós e os contras de cada proposta política. Nem todo mundo tem o tempo ou a disposição necessários para ir a fundo nesses assuntos, mas uma abordagem repetitiva e superficial pode ser ainda mais custosa.

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6. Você está votando para “castigar” outras pessoas

Existem pessoas que têm uma certa dificuldade em se responsabilizar pelas coisas que não dão certo em suas vidas, insistindo em sempre culpar os outros por todos os seus problemas, como se as próprias escolhas não tivessem nenhuma relação com suas próprias situações. Em um contexto eleitoral, isso pode se manifestar na forma do apoio a medidas que irão “punir” os grupos que elas consideram responsáveis pelos problemas da cidade, do estado ou do país.

O problema é que essa punição pode acabar afetando os próprios eleitores. Vários exemplos disso estão sendo vistos nos Estados Unidos do segundo mandato de Donald Trump. Muitos imigrantes em vias de legalização no país apoiaram as propostas de Trump para conter a imigração ilegal, mas foram surpreendidos pelo fato de que pessoas que estão seguindo as regras e que aguardam a finalização da legalização também estarem sendo consideradas “ilegais”.

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7. Você acha que não tem como as coisas piorarem

Diante de uma grande insatisfação, as pessoas podem achar que não há como as coisas piorarem e recorrem ao voto de protesto, anulando a própria escolha ou escolhendo candidatos vistos como “engraçados” ou “malucos”. Porém, isso pode resultar em políticos ainda piores e que não se sentem na obrigação de explicarem seus usos de mecanismos como o orçamento secreto e as chamadas emendas Pix.

Mesmo diante de escolhas pouco agradáveis, é importante que tentemos votar em candidatos que, pelo menos, vão tentar defender os interesses do povo e fazer um uso responsável dos recursos públicos. Faz mais sentido as pessoas se perguntarem quem está fazendo o quê nos três poderes e quem são os responsáveis pelas medidas que estão afetando a vida da população.

Se a História nos ensina algo, é que sempre há como as coisas piorarem.

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8. Você acha que o seu voto não importa e que nada vai mudar

O cansaço e a insatisfação também podem levar algumas pessoas a se sentirem mais inteligentes ou, de alguma forma, superiores ao não participar do processo democrático, alegando que todos os políticos são ladrões e que não acreditam ou não confiam em nenhum deles. Essa visão é até compreensível, mas não colabora em nada para a melhoria da nossa situação política.

Não tentar é uma forma certeira de garantir uma derrota. São as pessoas que continuam tentando que conseguem mudar alguma coisa.

Não se trata de confiar cegamente no candidato X ou Y, mas sim de fazer um esforço para apoiar os candidatos que vão além das promessas de campanha e que já mostraram consistência na defesa dos interesses do país e do povo.

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