Crítica: X-Men ’97 – 2ª Temporada

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X-Men ’97, EUA, 2024



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★★★★☆


Depois dos traumáticos eventos e da jornada de amadurecimento apresentados na primeira temporada, X-Men ’97 agora mostra os personagens dessa nova encarnação da série animada lidando com um vilão clássico. Com um tom bem menos infantil do que o da série dos anos 1990, a trama explora os dramas e os conflitos de forma mais séria e emocionalmente ressonante. O que na série original seria uma aventura relativamente previsível e repetitiva, aqui se torna uma oportunidade para os realizadores desenvolverem múltiplos arcos dramáticos e até mesmo desestabilizarem os relacionamentos entre os personagens.

x-men no egito antigo: fera, vampira, bishop, professor x, magneto e noturno

No início da segunda temporada, os X-Men estão separados por milhares de anos, com uma parte da equipe presa no Egito antigo e outra parte presa no futuro distópico controlado pelo vilão Apocalipse (Ross Marquand). Esse é um início que faz com que a temporada tenha uma estrutura um pouco diferente, com os quatro primeiros episódios sendo alguns dos mais grandiosos e marcantes. Os dois últimos apresentam uma conclusão à altura do que foi estabelecido, apesar de ela não ser tão épica quanto o que vimos nos três episódios que encerraram a primeira temporada.

No passado, O Professor X/Charles Xavier (Ross Marquand) e Magneto (Matthew Waterson) encontram o mutante En Sabah Nur (Adetokumboh M’Cormack) e tentam evitar que ele se torne o imbatível Apocalipse. No futuro, Ciclope/Scott Summers (Ray Chase) e Jean Grey (Jennifer Hale) encontram um Cable/Nathan Summers (Michael Johnston) adolescente e conseguem estabelecer uma conexão com o garoto, que agora eles sabem é seu filho. No presente dos anos 1990, Cable (Chris Potter) recruta Jubileu (Holly Chou) e Mancha Solar/Roberto da Costa (Gui Agustini) para fazerem parte da equipe X-Force, que é um esquadrão da morte que tem como único objetivo eliminar Apocalipse.

Depois que os X-Men falham em evitar a ascensão do vilão no antigo Egito, todos esses relacionamentos são postos à prova nos episódios finais. As artimanhas de Apocalipse acabam criando conflitos entre os vários times que pretendem derrotá-lo, incluindo uma versão do X-Factor que está a serviço do governo dos EUA e que é liderada por Val Cooper (Catherine Disher). Dessa vez, o grande vilão parece ter sido derrotado de forma definitiva, mas os custos são muito mais altos do que os X-Men poderiam imaginar.

x-force: psylocke, arcanjo, jubileu, mancha solar e cable

A temporada também dedica um episódio à busca de Wolverine para recuperar o adamanitum que cobria os seus ossos e um para mostrar o retorno de Polaris (Carolina Ravassa) aos X-Men. Porém, um dos melhores episódios da temporada mostra Noturno (Adrian Hough) tentando lidar com o extremismo anti-mutante de seu meio-irmão Graydon Creed (Ben Pronsky), um radical que está prestes à concorrer à presidência dos EUA. Creed é sequestrado por um grupo de mutantes radicalizados que pretende executá-lo, deixando Noturno como um mediador entre dois extremos.

É possível dizer que tanto a filosofia pacifista do Professor X quanto os ideais cristãos de Noturno são testados até o limite nessa temporada de X-Men ’97, chegando a lembrar as questões levantadas pelo paradoxo da tolerância. Diante de inimigos cada vez mais implacáveis e diante de derrotas cada vez maiores, os dois personagens começam a se perguntar se estão travando uma guerra por uma causa perdida. Obviamente, se esses dois personagens abandonarem os seus princípios, eles estão condenados a se tornarem os tipos de pessoas que eles sempre combateram.

Depois de sofrer uma grande perda, o Professor X começa a dar os primeiros sinais de um catastrófico esgotamento mental. A conexão psíquica que ele precisou estabelecer com Magneto no final da primeira temporada parece ter alterado as personalidades de ambos, com Charles se tornando mais impaciente e Magneto se tornando menos intolerante. Nas HQs, um cenário semelhante resultou na destruidora Saga Massacre, durante a qual os X-Men e os Vingadores precisaram se unir para enfrentar uma entidade maligna que surgiu a partir das frustrações do Professor X combinadas com os traumas de Magneto.

A segunda temporada de X-Men ’97 serve não apenas para mostrar como os heróis amadurecidos lidam com um vilão clássico, mas também para mostrar como o peso dos traumas que eles viveram afetam as suas decisões. Apesar de mais uma vez saírem vencedores, o mundo que eles tentam defender continua sendo deteriorado tanto pelos vilões mais malignos quanto pelos “heróis” mais inescrupulosos. É uma situação na qual as boas intenções de alguns (como Cable e Val Cooper) podem ter exatamente as mesmas consequências que as más intenções de outros (como Apocalipse e Graydon Creed).


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