Modo Noturno:

Crítica: Viúva Negra

Black Widow, EUA, 2021


Filme deixa claro que a Viúva Negra sempre teve potencial para estrelar a própria franquia dentro do MCU

★★★★☆


Se Capitão América: Soldado Invernal tentou colocar o MCU no mundo da espionagem à moda dos thrillers políticos dos anos 1970, Viúva Negra o faz à moda do agente secreto James Bond, com direito a referências explícitas ao personagem. O resultado é um típico thriller de ação da Marvel que homenageia o fictício mundo cinematográfico da espionagem. É tudo bem caricato, mas também bem divertido e emocionalmente ressonante. Além disso, o filme serve como uma razoável despedida da personagem Natasha Romanoff (Scarlett Johansson) e uma ótima introdução de Yelena Belova (Florence Pugh), que deve se tornar a nova Viúva Negra.

viuva negra 3A estrutura da narrativa é muito similar a de muitos dos filmes do agente 007: depois de um ataque surpresa, Natasha vai em busca de Yelena e de outros personagens que podem ajudá-la a entender a situação; ela descobre então que um vilão de seu passado, Dreykov (Ray Winstone), ainda está na ativa e vai em busca dele; no ato final, ela chega à base secreta da “organização do mal”, onde o vilão lhe explica seu plano maligno e eles têm um último confronto. Tudo isso é permeado por várias cenas de ação, durante as quais as heroínas precisam enfrentar os “soldados” à serviço do vilão, incluindo seu “capanga principal”, que aqui é o personagem Taskmaster.

Viúva Negra também inclui outros elementos comuns ao gênero, com momentos que lembram séries como Alias: Codinome Perigo e The Americans, além de filmes como Operação Red Sparrow (crítica aqui) e Atômica. Assim como essas produções, o filme faz uso de um clima geral de Guerra Fria para desenvolver a trama, ainda que ela não preze pelo realismo. Felizmente, o lado dramático da história compensa quaisquer outras limitações que a trama possui.

Boa parte disso se deve à presença de Florence Pugh, que, como se poderia prever, é uma adição de peso ao MCU. A atriz dá vida a uma Yelena que tem todo o carisma e bom humor que sempre foi mais limitado na Natasha de Johansson. Seu sucesso aqui era bem previsível porque, além de já ter mostrado suas capacidades dramáticas em filmes como Lady MacBeth e Midsommar (crítica aqui), ela fez um trabalho incrível na minissérie de espionagem The Little Drummer Girl (resenha aqui). Sua versatilidade abre portas para que o MCU explore vários outros gêneros em suas produções, ainda que a Disney tenha aversão ao risco.

viuva negra 2Já as presenças de Rachel Weisz, David Harbour e Ray Winstone não são tão impactantes quanto poderiam ser, mas ainda assim eles elevam o nível da produção. Enquanto o Guardião Vermelho de Harbour serve principalmente como alívio cômico, o caricato vilão de Winstone é digno das eras de Sean Connery e Roger Moore como 007. Weisz, por sua vez, não tem muito o que fazer com uma personagem escrita de forma completamente unidimensional, o que não lhe dá a oportunidade de se destacar no grupo.

Outra atriz que tem uma participação demasiadamente limitada é Olga Kurylenko (que, inclusive, já foi uma bond girl no cinema), mas sua adição ao MCU já é uma notícia boa o suficiente. Nos últimos anos, ela vem tentando deslanchar como heroína de ação, podendo ser vista em filmes como A Mensageira e A Sentinela (crítica aqui). Fica a esperança de que ela volte à franquia.

Viúva Negra mostra que a personagem título sempre teve potencial para estrelar sua própria sub-franquia dentro do MCU, especialmente quando acompanhada de personagens que ajudam a completar seu universo. Aqui, isso é feito por Yelena, mas outros filmes poderiam fazer uso de seus relacionamentos com Clint Barton/Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) e Bruce Banner/Hulk (Mark Ruffalo). Por hora, fica a esperança de que a Viúva Negra de Pugh não seja tão subutilizada. Já se sabe que ela deve fazer parte da equipe montada por Valentina Allegra de Fontaine (Julia Louis-Dreyfus) e que provavelmente aparecerá na série do Gavião Arqueiro, mas tanto a atriz quanto a personagem merecem que a própria sub-franquia seja continuada.

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