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Crítica: The Ice Road (Missão Resgate)

The Ice Road, EUA, 2021


Com poucos elementos além do esperado, filme deve agradar quem estiver interessado em mais do mesmo do ator Liam Neeson

★★★☆☆


Se o principal objetivo de The Ice Road for mostrar a perigosa realidade dos “caminhoneiros do gelo” por meio de um filme de ação genérico estrelado por Liam Neeson, ele é muito bem-sucedido. A interminável sequência de clichês à qual o roteiro recorre está sempre ameaçando a qualidade da produção, mas ela é salva tanto pela atuação de Neeson quanto por subtramas que incluem pontos de vista incomuns nesse tipo de filme. Surpreendentemente, até os aspectos dramáticos funcionam razoavelmente bem.

the ice road 1Quando o protagonista Mike (Neeson) e seu irmão Gurty (Marcus Thomas) são recrutados por Goldenrod (Laurence Fishburne) para entregar um equipamento que pode salvar a vida de trabalhadores presos em uma mina canadense, The Ice Road parece estar indo na direção de um típico filme de desastre acompanhado de uma corrida contra o tempo. Porém, quando a viagem sobre o gelo começa a dar errado de forma suspeita, um sabotador é revelado e o filme se transforma em um completo suspense de ação, com perseguições de caminhão quase dignas de Mad Max: Estrada da Fúria em alguns momentos.

Mas não é apenas a ação que torna o filme interessante. Graças à relação entre o protagonista e seu irmão, que sofre de uma pertubação na fala chamada de afasia, o roteiro de The Ice Road poderia facilmente ser convertido em um drama nos moldes do ótimo Bom Comportamento. Além disso, o filme ainda encontra espaço para fazer algum comentário social, mostrando o tratamento preconceituoso recebido tanto por Gurty quanto pela caminhoneira Tantoo (Amber Midthunder), que é descendente de povos indígenas e ativista pelos direitos dessa população no Canadá (assunto que está em alta no noticiário do país).

Esses aspectos fazem o filme se aproximar do fantástico suspense Terra Selvagem (crítica aqui), apesar de jamais atingir os mesmos níveis de profundidade temática e de tensão narrativa. Já a representação do trabalho que os caminhoneiros fazem nas chamadas estradas de gelo aproximam o filme do suspense Aqueles Que Me Desejam a Morte (crítica aqui), que reserva várias cenas para mostrar a importância do trabalho dos bombeiros florestais. No caso dos caminheiros, The Ice Road deixa claro o quão temerária e estressante a direção sobre o gelo pode ser, representando com certa fidelidade situações da vida real como as registradas em vídeos como esse e esse.

the ice road 2Outra situação da vida real que o filme representa é como as pessoas responsáveis por resolver uma crise às vezes atuam para sabotar a resolução. Nesse caso, enquanto os caminhoneiros arriscam as próprias vidas para salvar os mineiros presos no subsolo, parte da liderança da mineradora está mais interessada em impedir o resgate, de forma a não deixar testemunhas das práticas irresponsáveis adotadas no ambiente de trabalho. Quando a situação sai de controle, alguns desses supostos líderes se comportam como criminosos inescrupulosos, agindo mais no sentido de acobertar a própria culpa do que no de salvar as vidas que estão sob suas responsabilidades.

No mais, esse é um filme de ação de Liam Neeson como os muitos outros lançados nos últimos treze anos. Os mais recentes são Legado Explosivo e Na Mira do Perigo, que mantêm o nível de qualidade comum a essas produções. O ator se dedicou a esse tipo de papel depois do sucesso de Busca Implacável em 2008 e da trágica morte de sua esposa (a atriz Natasha Richardson) em 2009, sempre interpretando personagens marcados por algum tipo de perda. Quem estiver interessado em mais do mesmo, não vai se decepcionar com The Ice Road.

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