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Crítica: Aqueles Que Me Desejam a Morte

Those Who Wish Me Dead, EUA, 2021


Filme conta uma história interessante, mas jamais consegue chegar a altíssimos níveis de tensão

★★★☆☆


Uma brigadista florestal continua se culpando pelas vidas perdidas em um incêndio. Um pai e seu filho cruzam os Estados Unidos do sul ao norte em busca de segurança. Dois assassinos profissionais tentam rastreá-los para finalizar um serviço. É assim que o diretor Taylor Sheridan vai apresentado as peças e construindo o tabuleiro de Aqueles Que Me Desejam a Morte. Porém, a tensão da narrativa jamais sobe até o nível esperado, deixando o espectador com uma história dramaticamente séria mas desprovida de entusiasmo.

aqueles que me desejam a morte 2A premissa da brigadista que precisa lidar com bandidos no meio de um incêndio florestal é semelhante à do filme Tormenta de Fogo, uma produção “B” dos anos 1990 que tinha muita ação e pouco cérebro. Em Aqueles Que Me Desejam a Morte é o contrário, com a protagonista Hannah (Angelina Jolie) só enfrentando os bandidos no ato final. A maior parte do filme mostra a trajetória dos assassinos (Aidan Gillen e Nicholas Hoult) em paralelo com a trajetória do garoto Connor (Finn Little), que inicialmente está ao lado do pai (Jake Weber) e depois fica sob a proteção de Hannah. No fim das contas, a verdadeira heroína de ação aqui é Allison (Medina Senghore), esposa grávida do policial Ethan (Jon Bernthal).

Não é que a produção precisasse ser pura adrenalina, mas era de se esperar pelo menos um suspense de altíssimo calibre. Sheridan ficou conhecido por produções como Sicario: Terra de Ninguém (comentário aqui) e Terra Selvagem (crítica aqui), filmes nos quais a alta intensidade do suspense é um dos grandes destaques. Aqui, ele adota uma abordagem mais semelhante à de Yellowstone (resenha aqui), série da qual ele é co-criador e que também é ambientada no estado de Montana.

Assim como a série, Aqueles Que Me Desejam a Morte passa a maior parte do tempo construindo os relacionamentos entre os personagens e exibindo as belezas naturais daquela parte dos Estados Unidos, fazendo questão de mencionar o caminho percorrido por Lewis e Clark e a divisória continental da América do Norte, dois marcos geográficos do país. Porém, ao contrário da série, quando os momentos de suspense e ação chegam, eles não são satisfatórios a ponto de realmente compensar a espera. O ideal aqui é muito mais curtir a viagem do que contar com grandes emoções.

aqueles que me desejam a morte 1A produção também faz questão de realçar o trabalho heroico dos bombeiros florestais e as técnicas que eles e outros personagens utilizam para sobreviver ao fogo e às tempestades elétricas na floresta. Em muitos aspectos, esse é muito mais um filme de sobrevivência do que um suspense de ação convencional. A diferença é que, além das forças da natureza, os personagens também precisam lidar com dois frios assassinos surpreendentemente inteligentes e muito bem treinados taticamente. Se eles permitem que a situação saia do controle, é muito mais por causa das decisões de seus superiores do que pelas decisões tomadas em campo.

Aqueles Que Me Desejam a Morte é um filme sério e adulto, mas nada mais que isso. A produção possui muitos atrativos, incluindo a agora rara presença de Angelina Jolie nas telas, mas eles não são o suficiente para torná-lo altamente satisfatório. Depois da decepção com a história de Sem Remorso (crítica aqui), fica a esperança de que Sheridan deixe as adaptações de lado e volte a produzir aclamados roteiros originais.