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Crítica: Um Lugar Silencioso – Parte II

A Quiet Place – Part II, EUA, 2020


A silenciosa saga da família Abbott continua intensa e assustadora nessa continuação

★★★★☆


A jornada da família Abbott continua de tirar o fôlego em Um Lugar Silencioso: Parte II, continuação que expande o universo enquanto se mantém fiel à fórmula do filme original. Era de se esperar que a dinâmica da família mudaria significativamente depois do falecimento do patriarca Lee (John Krasinski, que está de volta na direção), mas seu papel na trama é completamente substituído pelo personagem Emmet (Cillian Murphy). Isso faz com que a dinâmica entre os personagens seja muito familiar à do primeiro filme, o que pode diminuir o impacto da produção.

um lugar silencioso parte ii 1Uma vez que a premissa básica já foi apresentada em Um Lugar Silencioso (crítica aqui), Krasinski não se esforça muito para colocar o espectador no mesmo nível de atenção e paranoia. Dessa vez, ele nos joga no caos do primeiro dia da chegada dos alienígenas (por meio de um flashback caprichado na ação) e pula para o exato momento no qual o primeiro filme terminou. É bem provável que uma sessão dupla seja uma experiência cinematográfica muito mais satisfatória do que ver o segundo filme anos depois de assistir ao primeiro. A sensação que fica é que essa Parte II não é realmente um novo capítulo dessa história, mas apenas um novo trecho da história original, que segue sem conclusão.

A repetição da fórmula tira muito do impacto dramático do roteiro, mas isso é compensado por um ato final tão intenso quanto o do filme original. O maior problema da produção é o caminho até lá. Além de certos aspectos bem previsíveis, as péssimas decisões tomadas pelos adolescentes Regan (Millicent Simmonds) e Marcus (Noah Jupe) podem provocar mais irritação do que antecipação no espectador. Ainda assim, são decisões tão mal calculadas quanto realistas, tomadas por adolescentes que acreditam que já sabem tudo o que precisam saber e se consideram em pleno controle da situação.

A mãe deles, Evelyn (Emily Blunt), faz o máximo possível para cuidar dos filhos, mas é incapaz de prever as decisões que eles estão prestes a tomar. Blunt continua incrível no papel, transmitindo muito bem não apenas a aflição de sua nova realidade mas também as marcas deixadas pelas perdas sofridas anteriormente. A prioridade da personagem é não repetir os traumas que ela já sofreu, levando-a até o limite de sua ousadia para enfrentar os predadores.

um lugar silencioso parte ii 2Além disso, novos detalhes são revelados sobre as criaturas e sobre a realidade pós-apocalíptica que se formou após a chegada delas. O material de divulgação de Um Lugar Silencioso: Parte II dá a entender que dessa vez os humanos também seriam um problema para Evelyn e seus filhos, mas essa é uma ameaça que permanece muito menos relevante do que a das criaturas alienígenas. Não é nada que chegue, por exemplo, no nível de Extermínio, filme de zumbi no qual os mortos-vivos se tornam os menores dos problemas a partir de determinado ponto.

No geral, Um Lugar Silencioso: Parte II leva a ação para um cenário diferente mas mantém um clima bem similar ao do primeiro filme. Por enquanto, a franquia vai muito bem e até impressiona com essa continuação. Porém, para seguir em frente, os realizadores precisarão deixar a fórmula de lado para contar histórias completamente diferentes nesse universo. Uma Parte III (já confirmada) será até bem-vinda para dar uma conclusão para a saga dos Abbott, mas, para ir além disso, outros personagens precisarão ser colocados no centro da trama.