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10 Filmes e Séries Que Ajudam a Entender a Guerra na Ucrânia

1. Munique: No Limite Da Guerra (2022)

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Lançado em janeiro de 2022, Munique: No Limite da Guerra se mostrou muito relevante para o atual cenário de tensões diplomáticas e militares entre a Rússia e o ocidente. A trama mostra uma versão fictícia dos acontecimentos da conferência que daria origem ao Acordo de Munique, um tratado de paz de 1938 que seria completamente ignorado por Hitler no ano seguinte. Assim como o líder nazista, Vladimir Putin adotou a estratégia de falar uma coisa e fazer outra: em 12 de fevereiro, seus diplomatas diziam que os alertas dos EUA em relação a uma possível invasão da Ucrânia pela Rússia haviam atingido o auge da histeria; no dia 24 do mesmo mês, a invasão se concretizou, dando início a uma guerra na Ucrânia.

2. 13 Dias que Abalaram o Mundo (2000)

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O cenário atual também tem paralelos com a Crise dos Mísseis Cubanos, cujo lado americano foi dramatizado no filme 13 Dias que Abalaram o Mundo. Naquele caso, a União Soviética teve a ousadia de posicionar mísseis de longo alcance em Cuba, praticamente no “quintal” dos EUA. No caso atual, a expansão da OTAN até os limites das fronteiras russas também criou um cenário altamente volátil, especialmente porque a oposição russa a essa expansão foi praticamente ignorada ao longo dos anos. Não é que a Rússia tenha o direito de escolher quem pode ou não fazer parte da OTAN, mas é provável que a insatisfação do país poderia ter sido melhor mitigada pelos diplomatas ocidentais.

Porém, a grande diferença entre a Crise dos Mísseis e a crise atual é que a primeira foi resolvida diplomaticamente, jamais se tornando uma completa crise militar. Dessa vez, Putin preferiu escalar lentamente a situação desde 2014 e explodi-la completamente em 2022, gerando um cenário altamente imprevisível. A essa altura, tudo indica que ele não está lá muito interessado na paz, já que fez demandas impossíveis de serem atendidas para poder encerrar a agressão.

Outros filmes sobre a Guerra Fria podem ser úteis para contextualizar essas questões.

3. Ucrânia em Chamas (2016)

ukraine on fire - guerra na ucrânia

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Esse documentário estrelado pelo cineasta Oliver Stone resgata a histórica relação entre a Rússia e a Ucrânia na tentativa de melhor explicar o que ocorreu no país em 2014. O resultado é um trabalho que adota quase que completamente o ponto de vista russo e expõe as interferências dos EUA na região. Com essa nova guerra na Ucrânia, o interesse por esse documentário aumentou, especialmente dentre as pessoas que defendem as ações de Putin e adotam o ponto de vista dele sobre o conflito, como se ele não tivesse escolha.

Esse é um argumento difícil de ser levado a sério, pois tenta estabelecer uma equivalência entre as questionáveis interferências ocidentais e a brutal invasão de um país soberano. É como dizer que, em pleno ano de 2022, um líder nacional não tinha outra opção a não ser causar muitas mortes e desestabilizar as vidas de milhões de pessoas em um país vizinho, espalhando sofrimento e destruição. Segundo esse ponto de vista, Putin se viu “obrigado” a tentar definir as políticas internas da Ucrânia e a anexar partes de seu território.

Em última instância, alguns desses apoiadores de Putin chegam a defender a ideia de que os ucranianos não deveriam ser tão soberanos assim e que deveriam abrir mão da própria identidade nacional para ficarem sob o domínio russo.

4. A Sombra De Stalin (2019)

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Um dos eventos que marcaram a História da relação entre a Rússia e a Ucrânia foi a Fome Soviética de 1932 e 1933, causada por uma combinação de fatores climáticos e políticas econômicas da União Soviética. A Sombra de Stalin conta a história de como essa catástrofe humanitária foi descoberta e reportada para o ocidente, já que os jornalistas estrangeiros estacionados em Moscou só podiam ver e reportar aquilo que o governo de Stalin queria que fosse visto e reportado. Algo equivalente ocorre na Rússia de hoje, já que qualquer cobertura midiática que não siga a história oficial do governo é taxada de fake news.

5. O Arsenal Dos Espiões (2021)

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Essa série documental da Netflix explica algumas das técnicas e tecnologias utilizadas pelos EUA e pelos soviéticos durante a Guerra Fria. Com um viés claramente pró-EUA, a série também conta histórias mais recentes de espionagem, principalmente sobre as ações russas. Nesse sentido, destacam-se a captura da espiã Anna Chapman, o envenenamento do político ucraniano Viktor Yushchenko, o envenenamento do ex-espião russo Sergei Skripal e o envenenamento e morte do ex-espião russo Alexander Litvinenko. Crítica completa aqui.

6. Chernobyl (2019)

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Outro evento marcante na relação entre a Ucrânia e a Rússia foi o acidente nuclear de Chernobyl, fantasticamente representado nessa minissérie de 2019. A severidade dessa crise foi tão alta que ela pode ter contribuído significativamente para a declaração de independência da Ucrânia e para a dissolução da União Soviética.

7. Vice (2018)

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Os apologistas de Putin também apontam para as ilegalidades cometidas pelos EUA para tentar justificar suas decisões no conflito atual. Uma delas é a Guerra do Iraque, conflito que os EUA iniciaram unilateralmente e cujos bastidores são mostrados no filme Vice. Os paralelos são notáveis: se Bush dizia que a invasão do Iraque era para “levar a democracia” para o povo iraquiano, Putin diz que está tentando “desnazificar” a Ucrânia (o país tem problemas com grupos neonazistas). Os dois discursos tentam mostrar líderes que possuem apenas as “melhores” das intenções.

O grande problema de se usar a Guerra do Iraque como justificativa para a guerra na Ucrânia é que as ilegalidades cometidas por um lado não podem ser utilizadas para justificar as ilegalidades cometidas pelo outro, sob a pena da coisa toda se tornar um “faroeste” no qual tudo é relativo e não existe certo ou errado. Não faz sentido se opor às políticas imperialistas dos EUA apoiando as políticas imperialistas da Rússia, que é o que várias partes (inclusive da esquerda) vêm fazendo no momento.

Além disso, uma grande diferença entre as duas situações é que a mídia dos EUA pode criticar abertamente o governo, enquanto na Rússia o fluxo de informações tem sido intensamente controlado.

8. Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom (2015)

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Mas o grande evento recente que preparou o cenário para a guerra na Ucrânia foi a Revolução Ucraniana de 2014, cujas principais consequências foram a anexação da Crimeia pela Rússia e o início da chamada Guerra Russo-Ucraniana, que seguiu ativa nos últimos anos, apesar da mídia ocidental não dar muita atenção para ela. A ousadia de Putin naquela época já era notável, e o fato de que ela seguiu sem maiores consequências contribuiu para a atual situação. O que ninguém esperava é que Putin lançaria uma invasão em larga escala do país, o que o coloca em uma situação da qual não parece haver uma saída favorável. Mesmo uma vitória russa viria acompanhada de custos imprevisíveis tanto para o país quanto para o resto do mundo, que já se encontra em uma ofensiva econômica sem precedentes.

9. Agentes do Caos (2020)

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Nesse meio tempo, Putin parece ter aperfeiçoado as técnicas de guerra midiática que já se tornaram características do Século 21. O documentário de duas partes Agentes do Caos destrincha tudo o que se sabe sobre a influência russa nas eleições de 2016 nos EUA, que resultaram na eleição de Donald Trump, uma figura que nunca escondeu sua admiração pelo presidente russo. Alguns analistas teorizam que Putin partiu para o ataque justamente porque já não possui um subserviente aliado na Casa Branca, que chegou a solicitar que a Ucrânia investigasse o filho de seu opositor depois de congelar a ajuda dos EUA ao país.

10. A Arma Perfeita (2020)

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Além das operações militares convencionais, a Rússia tem aplicado técnicas de guerra cibernética para enfraquecer a Ucrânia, como a invasão de sistemas de infraestrutura e campanhas de desinformação. O documentário A Arma Perfeita ilustra casos semelhantes que ocorreram no passado recente e já previa esse tipo de ação. O conflito atual parece oficializar esse novo campo de batalha, sendo marcado tanto pela ofensiva russa quanto pela resistência ucraniana nesse novo front. Um exemplo disso é como a plataforma social TikTok tem sido alvo de disputa entre os dois lados, além de ter se tornado uma nova fonte de inteligência sobre o conflito.

Bônus: Olga do Brasil

A youtuber russa Olga Kovalenko se tornou popular nos últimos anos depois que se mudou para o Brasil e criou um canal no qual falava sobre suas experiências no país (assim como muitos outros expatriados por aqui). Porém, seus dois últimos vídeos foram bem mais sérios, pois falavam justamente das tensões militares. No primeiro deles, lançado horas antes da invasão ter início, ela já tentava explicar o ponto de vista do povo russo sobre a situação.

No segundo, quando a guerra na Ucrânia já estava ocorrendo, ela se mostra ainda mais preocupada e aflita com o conflito, especialmente devido à situação de seus familiares e à ameaça da xenofobia dirigida aos russos em geral.

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