Crítica: O Urso – 5ª Temporada
The Bear – Season 4, EUA, 2022 – 2026
Disney+ · Trailer · Filmow · IMDB · RottenTomatoes
★★★★☆
A quinta e última temporada de O Urso é muito mais uma despedida do que uma verdadeira conclusão. Se os tratarmos como pessoas reais, é fácil perceber que as histórias desses personagens vão seguir em frente com outros desafios e outros aprendizados, mas é aqui que os deixamos como telespectadores. Por ser uma série que está interessada na complexidade emocional de pessoas reais, era de se esperar que nem tudo seria resolvido de forma 100% definitiva. Ainda assim, o último episódio da série nos oferece um belo e otimista “final de novela”.
No episódio final da quarta temporada de O Urso, Carmy (Jeremy Allen White) havia revelado que decidiu sair do restaurante, deixando Sydney (Ayo Edebiri) e Richie (Ebon Moss-Bachrach) no comando da operação. A maior parte da quinta temporada se passa no dia seguinte, que vem acompanhado de vários outros desafios para a equipe. O prazo estabelecido pelo tio Jimmy (Oliver Platt) já havia se esgotado, e agora as suas suspeitas de que o restaurante não é economicamente viável são confirmadas.
Ao contrário do que se poderia esperar de uma série roteirizada, Carmy não muda de ideia no final, e realmente se afasta de sua profissão como chef de cozinha. Tanto para os outros personagens quanto para o espectador, é triste vê-lo se afastando de sua clara vocação. Porém, essa também é uma das atitudes mais maduras que ele poderia tomar. O que Carmy percebeu ao longo das quatro primeiras temporadas é que sua paixão pela alta gastronomia havia se tornado um empecilho em seu desenvolvimento psicológico e na superação de seus traumas emocionais.
Desde a primeira temporada já havia ficado claro que ele era um “viciado em adrenalina”, utilizando o ambiente caótico e frenético das cozinhas de alta performance como um mecanismo de enfrentamento. Ele sempre tinha o trabalho como desculpa para evitar lidar com os traumas causados por uma mãe emocionalmente abusiva e pela morte de seu irmão Michael (Jon Bernthal) por suicídio. Mesmo quando passou a abordar esses traumas de frente e com seriedade, o caos no trabalho ainda o levava a entrar no “modo insano”, que acabou se tornando a sua zona de conforto.
Diante disso, não faria muito sentido ele mais uma vez tentar a mesma coisa e esperar um resultado diferente. Seu afastamento desse mundo provavelmente permitirá que ele entre em contato com emoções que ele nunca havia sentido antes, já que ele sempre acabava se sabotando quando as coisas começavam a dar realmente certo. É perfeitamente possível que ele volte a fazer o que ama uma vez que lide com essas questões e não tenha mais sentimentos negativos para tentar sufocar.
Felizmente, Sydney, Ritchie, Sugar (Abby Elliott) e os demais membros da equipe estão mais do que preparados para seguir em frente sem Carmy. Por mais que Sydney ainda não possua o mesmo nível de experiência que ele, ela já é perfeitamente capaz de liderar a equipe de forma organizada e sustentável em meio às “tempestades” do dia a dia. Diferente dele, ela é uma fonte de estabilidade e equilíbrio durante as crises, evitando que a equipe seja consumida por uma espiral de pressa, pânico e agressividade.
É devido a esse nível de maturidade de toda a equipe que as dificuldades são superadas e o serviço desse caótico dia, mostrado nos episódios seis e sete, é perfeito para todos os clientes. Com um alto nível de resiliência e com o plano de expansão montado por Ebra (Edwin Lee Gibson), é possível imaginar que o restaurante The Bear irá alçar voos altos. Esse é o tipo de negócio que oferece experiências consistentes e memoráveis para os clientes e um ambiente de trabalho saudável e acolhedor para seus funcionários, indo além de discursos vazios quando dizem se sentir como uma verdadeira “família”.
Essa temporada final de O Urso pode não ser o ponto alto da série (que ocorreu na segunda), mas oferece um encerramento à altura do que foi visto anteriormente. Assim como Carmy adota uma nova estratégia, a trama recorre a uma abordagem relativamente diferente para realçar tudo o que foi aprendido ao longo das marcantes jornadas emocionais e profissionais mostradas aqui. Por mais que muitos espectadores estejam mais interessados nos momentos caóticos e eletrizantes, essa é uma história que também oferece muitos momentos inspiradores e contemplativos, tanto pelas palavras quanto pelas atitudes desses verossímeis personagens.

