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Crítica: Venom – Tempo de Carnificina

Venom: Let There Be Carnage, EUA, 2021


Curto e direto ao ponto, Venom: Tempo de Carnificina deve agradar quem estiver interessado em uma acelerada comédia de ação

★★★★☆


Para quem cresceu lendo os quadrinhos ou assistindo às animações do Homem-Aranha, a grande batalha entre Venom e Carnificina mostrada aqui é de encher os olhos. Os poderes dos dois personagens são muito bem utilizados e muito bem representados em live action. Porém, Venom: Tempo de Carnificina só deve agradar a quem estiver disposto a entrar na vibe de comédia de ação adotada pelo diretor Andy Serkis. Com menos de uma hora e meia de duração, essa continuação é como uma rápida e divertida história em quadrinhos que ao invés de ser desenhada foi adaptada para as telas de cinema.

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Um confronto entre Venom e Carnificina poderia facilmente ser produzido como um chocante e sanguinário filme de terror. Porém, Serkis preferiu abraçar os aspectos mais insólitos dos personagens e fazer uma comédia sobre uma “dupla dinâmica”. Os desentendimentos domésticos e emocionais entre Eddie Brock (Tom Hardy) e o simbionte parecem tirados diretamente de franquias como Máquina Mortífera ou Bad Boys, nas quais policiais com temperamentos bem diferentes precisam trabalhar juntos. Felizmente, a comédia funciona muito bem para representar as dificuldades que Brock enfrenta enquanto vive com um alienígena dentro de seu corpo.

Na outra frente, a escolha de Woody Harrelson como Cletus Kasady/Carnificina se mostra tão acertada quanto se podia esperar. A experiência do ator na interpretação de homicidas insanos se encaixa perfeitamente no personagem, que é um serial killer sádico e impiedoso. A grande surpresa aqui é como sua parceria com a vilã Frances Barrison/Shriek (Naomie Harris) funciona incrivelmente bem. O romance entre os dois é um dos focos narrativos da trama, que poderia ter ficado mais séria se focasse ainda mais nesse relacionamento.

Para quem não estiver tão interessado no conflito entre Venom e Carnificina como comédia de ação, o filme pelo menos serve para preparar o terreno para outras aventuras. Uma delas pode envolver o futuro do Detetive Mulligan (Stephen Graham), que, assim como nos quadrinhos, pode se tornar o anti-herói Toxina. Além disso, Venom: Tempo de Carnificina marca a primeira aparição no cinema do Instituto Ravencroft, que é um hospital psiquiátrico para criminosos, nos moldes do Asilo Arkham. Mas a principal notícia nesse sentido é sobre a possibilidade de Venom aparecer no MCU.

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O universo introduzido no filme Venom parece estar isolado tanto da principal franquia da Marvel no cinema quanto dos filmes do Homem-Aranha lançados anteriormente. É como se ele fosse um dos universos mostrados na série What If…? (resenha aqui), respondendo à questão “o que aconteceria se Venom existisse mas o Homem-Aranha não?”. Porém, a cena pós-créditos de Venom: Tempo de Carnificina (que já foi tão noticiada que nem pode ser mais considerada um SPOILER) transfere o vilão para o universo do MCU, abrindo a possibilidade de sua participação em Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa, que será o primeiro filme a explorar as loucuras do multiverso. Se isso acontecer, Venom será um dos membros do Sexteto Sinistro, equipe de vilões que provavelmente enfrentará várias versões do Homem-Aranha.

Até lá, os fãs podem se divertir com essa descompromissada aventura de Venom. No primeiro filme, os fãs do personagem devem ter sentido a ausência do Homem-Aranha, mas ela é melhor compensada nessa continuação. A presença de Carnificina torna esse universo mais familiar e oferece ótimas cenas de ação. O que Venom: Tempo de Carnificina ainda não faz é explorar todo o potencial desses personagens, o que só deve acontecer quando eles enfrentarem o Homem-Aranha em uma batalha épica e dramática.

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