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Crítica: Homem-Aranha – Sem Volta Para Casa

Spider-Man: No Way Home, EUA, 2021


Trailer · Filmow · IMDB · RottenTomatoes

★★★★★


A nota acima é de cinco estrelas não porque Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa seja um filme perfeito, mas sim porque ele é um perfeito filme do Homem-Aranha. Além de doses cavalares de fan service, a trama honra a tradição de um dos heróis mais queridos dos quadrinhos enquanto o tira parcialmente de sua já conhecida moldura. Apesar do hype ao redor desse filme já estar há alguns meses em níveis preocupantes, o resultado final mais do que justifica a ansiedade dos fãs. Esse, talvez, seja o melhor dos filmes do Cabeça de Teia.

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O que torna Sem Volta Para Casa tão especial não é apenas que o Homem-Aranha/Peter Parker de Tom Holland tenha finalmente chegado ao mesmo nível de maturidade que a versão dos quadrinhos, mas também que ele o faz com a ajuda das duas encarnações anteriores do personagem no cinema, interpretadas por Tobey Maguire e Andrew Garfield. Mais que isso, esse combo é feito da forma certa, aproveitando todas as oportunidades de se fazer comédia e fazendo uso de toda a carga dramática que as três versões do personagem trazem com elas.

Em Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa os fãs são presenteados tanto com momentos nos quais os três Aranhas comparam as diferenças entre eles quanto com momentos nos quais eles precisam atuar em equipe, resultando em algumas das cenas mais satisfatórias da História dos filmes de super-herói. Além disso, as lições que o Holland-Aranha precisa aprender ficam ainda mais profundas diante do que já foi vivido pelas duas outras encarnações. O Maguire-Aranha e o Garfield-Aranha trazem consigo o peso das cicatrizes emocionais que eles acumularam ao longo dos filmes anteriores, fazendo com que alguns dos momentos dramáticos sejam emocionantes em múltiplas dimensões.

Apesar das duas horas e meia de duração, o filme é conciso e deixa a impressão de ter menos de duas horas. A trama pode ser dividida em quatro grandes atos: na introdução, o Holland-Aranha tem que lidar com as consequências da revelação de sua identidade; no ato seguinte, ele pede ao Dr. Estranho (Benedict Cumberbatch) para resolver seus problemas com um feitiço, o que dá errado e leva a batalhas contra alguns vilões e contra o próprio Estranho; a seguir, ele tenta fazer a coisa certa ao corrigir os problemas causados pelo feitiço, o que mais uma vez não sai como o esperado e o leva a uma batalha contra o Duende Verde (Williem Dafoe); no ato final, há a grande batalha envolvendo todos os personagens.

Fora esses grandes desenvolvimentos, o tempo é preenchido por várias conversas e muitas piadas (além de uma divertida aparição de Charlie Cox como Matt Murdock, que mostra ser um ÓTIMO advogado), o que pode ficar cansativo para o espectador casual. Para os fãs do aracnídeo, por outro lado, isso está longe de ser um problema. Um dos grandes destaques da produção é a batalha entre o Holland-Aranha e o Dr. Estranho, que mais uma vez usa seus poderes para prover visuais impressionantemente estimulantes e psicodélicos, assim como o fez em Doutor Estranho (crítica aqui) e em Vingadores: Guerra Infinita (crítica aqui).

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É possível apontar vários problemas em Sem Volta Para Casa, como as representações do Lagarto e do Homem-Areia, que parecem ter sido feitas com dubladores e imagens de arquivo de Rhys Ifans e Thomas Haden Church. Além disso, diante de algumas inconsistências, a trama faz o espectador levantar várias perguntas sobre o funcionamento desse louco mundo dos super-heróis. Porém, esses são detalhes que precisam ser relevados para que a diversão possa acontecer.

A verdadeira má notícia é que o final de Sem Volta Para Casa deixa aberta a possibilidade do Holland-Aranha sair do MCU. Talvez isso seja um estratagema da Sony Pictures para garantir que seu Homem-Aranha não fique refém da Marvel Studios. Com essa possibilidade, a Sony tem muito mais poder de barganha e não precisaria da influência do MCU para fazer filmes de grande sucesso. Se a produtora Amy Pascal conseguir colocar todos os personagens em um mesmo universo (o que já foi sinalizado no trailer de Morbius) e reproduzir a qualidade de Homem-Aranha no Aranhaverso (crítica aqui), então a Marvel ficará sem o Aranha em suas produções.

Por ora, o importante é que Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa faz uma grande homenagem à História do Homem-Aranha no cinema enquanto muda tudo no mundo da atual versão do herói. A trama prepara Peter Parker para uma nova fase de sua vida e aproxima o Holland-Aranha de uma versão mais adulta e madura do personagem. Isso deve distanciá-lo do estilo “comédia adolescente” dessa trilogia do MCU enquanto continua explorando os limites do Cabeça de Teia na tela grande.

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