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Crítica: Três Canções Para Benazir

Three Songs for Benazir, Afeganistão, 2021


Netflix · Trailer · Filmow · IMDB · RottenTomatoes

★★★☆☆


Três Canções Para Benazir não realiza grandes feitos dramáticos ou narrativos, mas consegue muito bem apresentar um trágico recorte de uma trágica vida afegã. Com apenas vinte e dois minutos de duração, esse curta-metragem documental mostra um Afeganistão que muito raramente aparece na mídia ocidental. Por mais que algumas das encenações não sejam lá muito naturais, o filme consegue atingir o propósito de apresentar uma alternativa à história única de guerra e terrorismo que domina a cobertura sobre o país.

três cancões para benazir

Ao mostrar o mundo sob o ponto de vista do jovem Shaista, os cineastas Elizabeth e Gulistan Mirzaei revelam os sonhos e as frustrações de um homem recém casado e sem estudo naquele país. Pobre e morador de um campo de refugiados, ele tenta ganhar dinheiro fabricando tijolos, mas vê no exército uma oportunidade de fazer parte de algo importante e de ter uma carreira de verdade. Porém, sua família de colhedores de papoula é veementemente contra a “pioneira” ideia do rapaz.

Sua ida para as plantações é praticamente uma obrigação, já que seus familiares veem apenas riscos em sua tentativa de seguir um caminho diferente. Eles têm medo das consequências para a família tanto no caso de Shaista cometer algum erro no exército quanto no caso de possíveis represálias do Talibã (que, durante as filmagens, ainda não dominava o país) por ele ter se alistado. Por mais que ele tente ser um pioneiro para garantir uma vida decente para sua esposa Benazir, as opções que lhe são dadas são bem limitadas. Não é difícil imaginar como jovens como ele podem ser seduzidos pelas promessas de glória e salvação feitas por grupos extremistas.

Por mais que sempre estejam nos jornais, as realidades sociais de países como o Irã, a Síria e o Afeganistão dificilmente chegam aos olhos e ouvidos estrangeiros. Nesse sentido, Três Canções Para Benazir serve para revelar que há pessoas comuns tentando viver vidas comuns nesses lugares dos quais só se fala quando há violência ou instabilidade política. A história de Shaista revela tanto a humanidade de sua situação quanto a influência da situação geopolítica de seu país sobre a sua vida.

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