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Crítica: La Casa de Papel – Final

La Casa de Papel – Parte 5, Espanha, 2021


Netflix · Trailer · Filmow · IMDB · RottenTomatoes

★★★☆☆


A conclusão de La Casa de Papel foi bem divertida e bem satisfatória, mas também realçou algumas das maiores limitações das últimas temporadas desse fenômeno mundial. A série nunca prezou pelo realismo, mas, conforme avançava, a trama pedia cada vez mais suspensão da descrença por parte do espectador. Isso chega a um ápice nesses cinco últimos episódios, durante os quais é preciso fazer um esforço para relevar alguns inexplicáveis ou desnecessários desenvolvimentos para poder curtir os momentos de adrenalina e suspense.

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A divisão da Parte 5 em dois volumes limitou significativamente o impacto dessa última leva de episódios, erro que a Netflix também cometeu com a primeira temporada de Mestres do Universo: Salvando Eternia (crítica aqui). Se os dez episódios tivessem sido lançados de uma só vez, como foi o caso dos oito episódios de cada uma das Partes 3 e 4, os momentos bons compensariam os momentos mais exagerados ou arrastados dessa conclusão. Esse “Volume 2” da Parte 5, que se arrasta devido à inserção de triângulos amorosos e discussões de relacionamento, é salvo principalmente por uma grande reviravolta no episódio oito e por um episódio final que capricha no drama.

A grande reviravolta tem a ver com o envolvimento de Rafael (Patrick Criado) e Tatiana (Diana Gómez) na história principal, já que eles só haviam sido mostrados em flashbacks. Porém, apesar de propiciarem momentos intensos e imprevisíveis, o filho e a ex-esposa de Berlim (Pedro Alonso) serviram muito mais para mantê-lo aparecendo nos flashbacks do que para ajudar a avançar a trama dos dias atuais. É claro que, se eles serviram para justificar mais cenas com Berlim, que ainda é o personagem mais carismático de La Casa de Papel, então a introdução deles valeu a pena.

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Um dos grandes atrativos iniciais da série era ver os protagonistas saindo de situações quase impossíveis graças à inteligência e à resiliência dos planos traçados pelo Professor (Álvaro Morte), que estava sempre um passo à frente dos antagonistas. Nas temporadas finais, entretanto, só sobrou a resiliência. Ele segue acumulando grandes derrotas, enquanto os planos que realmente funcionam são os secundários. O final até tenta manter a genialidade do personagem ao envolver todo a economia espanhola na trama, mas o Professor precisa praticamente implorar a um outro personagem para que o plano funcione.

Dado que ele estava contando com a boa vontade e com a sanidade de pessoas cansadas e à beira da loucura, o plano final só deu certo porque os roteiristas queriam que desse.

Ainda assim, com momentos tensos e emocionantes, esses últimos episódios de La Casa de Papel servem como uma bela despedida, encerrando um fantástico ciclo de drama, ação e suspense que conquistou fãs ao redor do mundo. Só teria sido ainda melhor se esse final tivesse chegado antes e evitado a concorrência com outro fenômeno da Netflix, a série Round 6 (resenha aqui). Espera-se, pelo menos, que a Netflix não cometa os mesmos erros e nem tente espremer até a última gota do universo criado na série sul-coreana.

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