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Crítica: Exército de Ladrões – Invasão da Europa

Army of Thieves, EUA/Alemanha, 2021


Apesar de imperfeito, Exército de Ladrões se justifica graças a um ótimo protagonista e aos momentos chave da trama

★★★☆☆


A narrativa de Exército de Ladrões: Invasão da Europa quase colapsa sob o próprio peso, mas é salva pelo sólido alicerce estabelecido no filme anterior e pelo carisma de seu protagonista. O alemão Matthias Schweighöfer, que dirige e estrela a produção, insere mais detalhes do que o necessário em um filme sobre um excêntrico grupo de ladrões executando uma série de roubos. Ainda assim, o espectador que suportar as cenas mais maçantes é agraciado com os ótimos momentos de “invasão” dos cofres e com um bem executado desenvolvimento do protagonista.

exército de ladrões 1

Enquanto Zack Snyder conseguiu preencher relativamente bem as duas horas e meia de Army of the Dead: Invasão em Las Vegas (crítica aqui), Schweighöfer faz um trabalho irregular com as duas horas de Exército de Ladrões: Invasão da Europa. Alguns dos piores momentos dessa produção lembram o primeiro Esquadrão Suicida (2016), com longos e desnecessários flashbacks sendo utilizados para estabelecer os personagens e falhando miseravelmente nessa missão. Snyder fez algo semelhante em Army of the Dead, mas o formato de montagem acompanhada de uma ótima trilha sonora foi muito mais uma abertura do que a introdução dos personagens em si.

Além disso, Exército de Ladrões tenta ser mais cool, estiloso e profundo do que realmente consegue ser. Enquanto Snyder fez isso sem maiores dificuldades, Schweighöfer se complica com cenas mais longas e com mais diálogos do que o ideal. Boa parte da primeira metade do filme é gasta com os personagens explicando o que eles vão fazer e porque devem fazê-lo, chegando a ficar repetitivo em alguns momentos. Já as tentativas de inserção de profundidade dramática dificilmente funcionam, enquanto a química entre Dieter (Schweighöfer) e Gwendoline (Nathalie Emmanuel) só funciona bem o suficiente para justificar a cena final.

Apesar de não se destacar dentre os muitos filmes sobre roubos (nesse aspecto, o filme é facilmente superado pelo recente Infiltrado), os melhores momentos de Exército de Ladrões: Invasão da Europa são aqueles nos quais Dieter está abrindo os “mitológicos” cofres do lendário Hans Wagner (Christian Steyer). A trilha sonora, os efeitos especiais, a edição e os diálogos elevam a produção nesses momentos chave, a ponto de serem bons o suficiente para justificarem o filme. São nesses momentos que a personalidade de Dieter realmente brilha e que o peso dramático da trama realmente se destaca, e não quando ele ou os outros personagens estão contando histórias tristes acompanhadas de flashbacks.

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O filme possui alguns outros penduricalhos desnecessários, como um antagonista que simplesmente não funciona e um quase triângulo amoroso que não adiciona muito à trama. A maior parte desses e de outros problemas está no roteiro, que não facilita em nada o trabalho dos intérpretes dos coadjuvantes. Um exemplo disso é como, apesar dos esforços heroicos de Nathalie Emmanuel, a personagem Gwendoline permanece unidimensional mesmo depois do texto tentar mostrá-la como complexa e multifacetada. O erro aqui é justamente tentar mostrá-la muito mais complexa do que a história precisava.

A escrita de Dieter, por sua vez, é significativamente beneficiada pelo o que já sabemos dele de Army of the Dead e pelo fato de que ele é o protagonista. Seu arco narrativo funciona muito bem ao longo do filme e melhor ainda quando se leva em conta o filme anterior. As ações de Dieter na Las Vegas infestada por zumbis ganham muito mais peso dramático graças a essa prequela, apesar de suas imperfeições. Talvez, com uns trinta minutos e uns três ou quatro personagens a menos, Exército de Ladrões poderia ser tão divertido e tão impactante quanto o filme original.

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