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Crítica: Arquivo 81 – 1ª Temporada

Archive 81 – Season 1, EUA, 2022


Netflix · Trailer · Filmow · IMDB · RottenTomatoes

★★★★☆


Seria uma tarefa ingrata tentar listar todas as influências presentes na série Arquivo 81. A produção faz um grande apanhado do que há de melhor nos grandes clássicos do terror, envolvendo seitas misteriosas, lugares isolados, conspirações macabras, seres de outro mundo e muita paranoia. Todos esses elementos são integrados em uma narrativa segura e paciente, que dá ao espectador a possibilidade de apreciar cada detalhe da aterrorizante atmosfera da trama. Consequentemente, a série só não é indicada para quem tiver pressa e estiver interessado em respostas rápidas para os intrigantes mistérios.

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A princípio, o protagonista Dan Turner (Mamoudou Athie) se encaixa fielmente nos clichês desse tipo de história, pois, além de ter traumas do passado, ele também possui um recente histórico de instabilidade mental. Isso imediatamente abre a possibilidade dos elementos fantásticos da série serem fruto de sua imaginação ou manifestações de seus problemas mentais. Porém, a trama não vai nessa direção e está muito mais interessada em contar uma história nos moldes de O Iluminado ou O Bebê de Rosemary, apenas para citar duas de suas influências mais óbvias.

A outra protagonista é Melody Pendras (Dina Shihabi), uma pesquisadora que, em 1994, tenta realizar um trabalho em um prédio histórico de Nova York. As gravações feitas por ela são recuperadas por Turner nos tempos atuais, o que leva Arquivo 81 a justapor a duas linhas do tempo até elas começarem a se conectar de formas bem estranhas. Lá pela metade dessa primeira temporada, fica claro que há uma comunicação não apenas do passado para o presente, mas também do presente para o passado.

Enquanto o ritmo de Arquivo 81 lembra séries como Katla e Missa da Meia-Noite, a trama em si está muito mais próxima de filmes de terror como Hereditário e Midsommar. A história também lembra o clássico cult A Conversação e o recente terror britânico Censor, que mostram situações nas quais o terror está muito mais na paranoia dos protagonistas do que nos materiais de áudio e vídeo que eles estão analisando.

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Inspirada em um podcast de sucesso, a série se destaca pela qualidade dos roteiros e da direção, que nunca falham em manter a soturna história em movimento. Os aspectos mais sutis da produção só são abandonados no episódio final, que faz bastante uso de diálogos expositivos para responder as perguntas que ainda estavam sem respostas. Ainda assim, a resolução é muito boa e deixa um ótimo cliffhanger para uma segunda temporada. A única questão preocupante é como a série manterá o mesmo nível de mistério e terror psicológico agora que a grande maioria das perguntas já está respondida.

Apesar das muitas referências, Arquivo 81 consegue deixar sua própria marca no gênero do terror. A série faz um ótimo uso dos oito longos episódios da primeira temporada, sem jamais deixar a sensação de que a história está se prologando por mais tempo do que deveria. Se os filmes citados anteriormente pudessem ter oito horas de duração, os resultados seriam bem semelhantes ao dessa série.

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