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Crítica: Sem Remorso

Without Remorse, EUA, 2021


Trama genérica e previsível diminui o impacto do que poderia ser um grandioso filme de ação

★★★☆☆


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Depois que o roteirista Taylor Sheridan e o diretor Stefano Sollima colaboraram no ótimo Sicário: Dia do Soldado (crítica aqui), a notícia de que eles seriam os responsáveis por Sem Remorso elevou consideravelmente as expectativas do público para essa nova adaptação cinematográfica do universo de Tom Clancy. Porém, Sheridan e Sollima estão longe de seus melhores momentos aqui, com um roteiro que peca pela falta de originalidade e uma direção bem menos inspirada do que a de Dia do Soldado.

without remorse 2O resultado ainda é um bom filme de ação, que serve principalmente para consolidar Michael B. Jordan como uma estrela do gênero e para introduzir o que pode ser uma nova franquia cinematográfica, protagonizada pelo personagem John Clark. O Sollima de Dia do Soldado até aparece em alguns momentos, como na cena de abertura na Síria e durante a queda de um avião na Rússia, mas jamais com o mesmo grau de tensão e brutalidade do filme anterior, e nem com a mesma qualidade na cinematografia.

Já o roteiro de Sheridan e Will Staples é diminuído por uma típica trama de vingança em meio a uma complexa trama geopolítica, o que não permite um desenvolvimento mais maduro e inteligente da história e dos personagens. A reviravolta apresentada no final também não é lá muito interessante, e já foi utilizada inclusive em A Soma de Todos os Medos, que é uma das adaptações do personagem mais famoso de Clancy, Jack Ryan.

Quando Sem Remorso foi anunciado, uma das grandes perguntas feitas pelos fãs é se ele se passaria no mesmo universo da série Jack Ryan (resenha aqui), sucesso recente da Amazon Prime Video. O filme deixa a resposta em aberto, se limitando a mencionar que a personagem Karen Greer (Jodie Turner-Smith) é sobrinha de James Greer, mentor de Ryan que é interpretado por Wendell Pierce na série. No mais, as duas produções estão bem distantes uma da outra em termos ideológicos, pois enquanto o ingênuo (e, às vezes, inconsequente) patriotismo de Ryan está no centro da série, o patriotismo cego e radical é mostrado de forma mais ameaçadora no filme.

without remorse 1A produção também é prejudicada pela grande cena de ação do ato final, que acaba ficando um tanto anticlimática. Algo assim havia funcionando muito bem em Sicário: Dia do Soldado, mas aquele filme possuía uma trama política bem desenvolvida para sustentar a história e para dar um significado específico ao desfecho. Como a trama de Sem Remorso não foi tão bem desenvolvida, o filme realmente precisava de um combate épico e memorável no final. Ao invés disso, o que se tem é uma fuga desesperada e de escopo limitado, contra inimigos sem rosto e ambientada inteiramente em um único prédio.

O filme possui uma cena pós-créditos que prepara explicitamente uma adaptação de Rainbow Six, na qual o John Clark de Jordan irá liderar uma equipe antiterrorista internacional, com membros de diferentes países. O potencial é gigantesco, mas a realização precisará ser mais refinada para evitar todos os problemas de Sem Remorso e entregar a aventura de alta tensão que os fãs tanto esperam.

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