Crítica: Adão Negro

Black Adam, EUA, 2022



Trailer · Filmow · IMDB · RottenTomatoes

★★★☆☆


Ninguém vai poder dizer que Adão Negro não tem muitas e belíssimas cenas de ação. O que o filme realmente não possui é uma história capaz de criar tensão e empolgação no espectador. A narrativa não é nada mais do que uma sequência de fantásticas cenas de batalha fracamente conectadas entre si. O que salva a produção são os quase impecáveis efeitos especiais e o carisma de alguns dos personagens secundários.

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Assistir ao Adão Negro (Dwaynne Johnson) destruindo mercenários e equipamentos militares como se não fossem nada é como assistir a um filme de Godzilla. E, como nos filmes do lagarto gigante, a grande atração aqui é ver toda a destruição causada pelo poderoso “monstro”. Enquanto isso, há alguns humanos ao seu redor protagonizando subtramas que, na prática, não fazem a menor diferença.

A melhor dessas subtramas é protagonizada pela Sociedade da Justiça, grupo de super-heróis que servem como antagonistas para Adão Negro e dão a ele várias oportunidades de demonstrar seus poderes e sua invencibilidade. É nesse grupo que estão o Gavião Negro/Carter Hall (Aldis Hodge) e o Senhor Destino/Kent Nelson (Pierce Brosnan), que são os dois melhores e mais desenvolvidos personagens da produção.

Isso não significa muita coisa, pois mesmo eles sofrem com a falta de qualidade do roteiro. A questão é que, se comparados aos demais personagens, o Gavião Negro e o Senhor Destino são o centro dramático da história, especialmente por contarem com uma grande ajuda das atuações de Hodge e Brosnan. Para personagens como o Esmaga Átomo/Al Rothstein (Noah Centineo), Cyclone/Maxine Hunkel (Quintessa Swindell) e Adrianna Tomaz (Sarah Shahi) restam diálogos que variam entre o extremamente previsível, o completamente desnecessário e o absolutamente sem sentido.

Os piores momentos são aqueles nos quais o roteiro tenta ser engraçado ou inteligente. Há inclusive infelizes tentativas de se discutir a moralidade dos super-heróis em meio a comentários de natureza geopolítica. Por mais que sejam bem intencionados, esses momentos são tão rasos e descartáveis que não chegam a dizer nada e nem aumentam a profundidade da trama. Já no quesito humor, o filme tenta fazer poucas piadas, e pouquíssimas delas chegam a funcionar.

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Todas essas limitações ficam em segundo plano durante as ótimas cenas de ação. Ainda que sejam exageradas na utilização de câmera lenta, a estética das batalhas é de causar inveja a outras grandes produções do gênero de super-heróis. Visualmente, Adão Negro é um dos poucos filmes que realmente conseguem causar a impressão de serem “histórias em quadrinhos na tela grande”.

A absurda qualidade da cinematografia e dos efeitos especiais permite que as batalhas entre o protagonista e a Sociedade da Justiça sejam vistas em todas suas cores e grandiosidade. Nesses momentos, é possível esquecer os muitos problemas citados e simplesmente apreciar as imagens sobre a tela.

As coisas só desandam quando os personagens voltam a conversar entre si ou quando começam a explicar a história, deixando a impressão de que estamos assistindo a um documentário sobre a fictícia nação da Khandaq. Na sessão na qual eu fui, o único momento no qual o público mostrou alguma empolgação foi durante a aguardada participação especial na cena pós-créditos.

Em termos de ação e visuais, Adão Negro é altamente satisfatório. Em termos de história, o filme é quase o Capitã Marvel do DCEU: todos os elementos necessários para um ótimo e divertido filme de super-heróis estão presentes, mas eles dificilmente se encaixam como deveriam. Quando o último vilão finalmente aparece e a qualidade dos efeitos especiais cai um pouco, fica bem difícil para o espectador realmente se importar com qualquer coisa que está acontecendo.

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