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Crítica: A Profissional

The Protégé, EUA, 2021


Roteiro e personagens relativamente imprevisíveis ajudam A Profissional a se diferenciar de outros filmes de ação

★★★☆☆


Apesar de ser mais longo e de ter mais diálogos do que o ideal, A Profissional consegue se manter interessante graças a um roteiro que tenta ser inovador e a uma segura direção do veterano Martin Campbell. O resultado ainda não está à altura de todo o talento de Maggie Q, mas é divertido e intrigante o suficiente para manter o interesse do espectador. Além disso, as presenças de Samuel L. Jackson e Michael Keaton elevam o material até um ponto que quase ultrapassa os limites dos filmes de ação genéricos (ênfase no “quase”).

a profissionalUm dos motivos pelos quais o roteiro de A Profissional se destaca é por criar um mistério que vai ficando cada vez mais intrigante. Depois que seu pai adotivo e mentor Moody (Samuel L. Jackson) é morto, a assassina profissional Anna (Maggie Q) começa uma investigação que toma rumos imprevisíveis em diversos momentos. Depois de um tempo, uma das poucas conclusões às quais ela chega é de que a organização que ordenou o assassinato é mais poderosa e mais sombria do que ela esperava.

Na segunda metade do filme, só lhe resta tentar extrair informações de Rembrandt (Michael Keaton), que é um dos agentes que estão atrapalhando sua infrutífera investigação. O personagem é escrito de uma forma que sai ligeiramente dos moldes que se poderia esperar desse tipo de filme. Ele não é um aliado, mas também não se mostra um completo adversário. Fica claro que ele trabalha para os vilões, mas seu interesse por Anna parece ser genuíno. Porém, ele é o tipo de profissional que não deixa seus interesses pessoais se sobreporem ao trabalho que ele foi contratado para fazer. Ainda assim, ele chega a quebrar essa regra em alguns momentos.

A dualidade de Rembrandt é muito bem interpretada por Keaton, tornando-o um personagem intrigante e imprevisível. A impressão que fica é que mais esforço foi colocado na escrita dele do que na escrita da protagonista, que se limita à fórmula seguida pela produção. O mesmo pode ser dito de Moody, que só se destaca quando Jackson lhe empresta seu típico carisma. Isso não significa que Anna e Moody não tenham bons desenvolvimentos, mas apenas que eles não são tão intrigantes quanto o enigma de Rembrandt.

a profissional 2Em termos de ação, A Profissional mostra que o diretor Martin Campbell ainda está em plena forma. Campbell é mais conhecido por ter reiniciado a franquia 007 não uma, mas duas vezes. Ele dirigiu tanto 007 Contra GoldenEye, primeiro filme de Pierce Brosnan como James Bond, quanto 007: Cassino Royale, que foi a explosiva estreia de Daniel Craig no papel. Aqui, além dos fantásticos tiroteios, há cenas de luta muito bem coreografadas e altamente satisfatórias. Parte disso se deve ao fato de que os próprios atores realizaram boa parte dessas cenas, deixando para os dublês apenas os movimentos mais elaborados e perigosos.

Apesar de não ser tão inteligente e inovador quanto pretendia, A Profissional é uma ótima tentativa. Os personagens são bem escritos e muito bem interpretados, enquanto a ação não decepciona. O que impede que o filme atinja uma nota maior é que seu arco principal não é tão empolgante quanto poderia ser, se limitando a uma trama de pequena ou, no máximo, média escala. Esses mesmos personagens em uma trama a la James Bond poderiam resultar em um blockbuster que seria inesquecível para boa parte do público.

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