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Crítica: WandaVision

WandaVision, EUA, 2021


Série serve como uma completa e detalhada história de origem para a Feiticeira Escarlate

★★★★☆


Apesar dos fãs terem altíssimas expectativas sobre quais personagens e eventos seriam introduzidos em WandaVision, o produtor Kevin Feige manteve o escopo da série íntimo e limitado. Ao invés de um mega-evento do MCU (com muitas batalhas e muitos super-heróis), a história está mais focada em introduzir formalmente a figura da Feiticeira Escarlate e em preparar o terreno para os eventos a serem mostrados nos próximos filmes do Homem-Aranha (Tom Holland) e do Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch). Muitas sementes são plantadas e muitas perguntas ficam sem respostas, evidenciando que essa é apenas a introdução de algo muito maior.

Muito se reclamou sobre os episódios serem muito curtos, mas o principal problema é que eles não possuem arcos narrativos completos e coesos. Eventos que são preparados em um episódio ficam em suspensão até o seguinte, o que seria mais apropriado em séries cujos episódios são lançados todos no mesmo dia ou, pelo menos, mais de um episódio por semana. Além disso, a trama brinca com as expectativas dos fãs mais ávidos por meio de “sinais” de novos personagens que jamais se concretizam da forma esperada. Ou eles serão “concretizados” nos próximos capítulos da saga do multiverso ou não são nada mais do que easter eggs soltos na trama.

Esperava-se, por exemplo, que os primeiros personagens do Quarteto Fantástico (que já tem um novo filme confirmado) ou os primeiros mutantes dos X-Men fossem introduzidos na série, mas isso não ocorreu, mesmo com a escalação de Evan Peters como uma versão do personagem que ele interpretou na franquia cinematográfica anterior. As únicas personagens realmente introduzidas foram Agatha Harkness (Kathryn Hahn) e Monica Rambeau (Teyonah Parris), que deve fazer parte dos filmes e séries relacionados com a Capitã Marvel.

Ainda assim, faz mais sentido introduzir os X-Men como resultado da Magia do Caos da Feiticeira Escarlate do que como consequência natural do processo evolutivo da humanidade, como é nos quadrinhos. Um dos vários “sinais” de X-Men em WandaVision é o personagem Tyler Hayward (Josh Stamberg), diretor da S.W.O.R.D. que não existe nos quadrinhos mas que é a perfeita representação de um determinado tipo de inimigo dos mutantes: os humanos que odeiam as pessoas com superpoderes e não medem esforços para erradicá-las da face da Terra.

WandaVision se destaca por finalmente dar mais profundidade dramática à personagem Wanda Maximoff/Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen) e por trazer Visão (Paul Bettany), ou pelo menos uma versão dele, de volta à vida. Pode-se dizer que as ações de Wanda na série a colocam no status de anti-heroína, já que, apesar de suas boas intenções, ela machuca muitas pessoas inocentes como efeito colateral de um colapso nervoso causado pelo luto e pela depressão. A personagem termina a série ainda com pendências emocionais (especialmente em relação a seus filhos) mas já completamente transformada na Feiticeira Escarlate, o que pode torná-la mais equilibrada ou ainda mais perigosa.

A série funciona em grande parte devido às ótimas atuações de Olsen e Bettany, que vão da comédia mais leve ao drama mais pesado, além de passarem por momentos autenticamente românticos, ao longo dos nove episódios. O trabalho deles aqui os firma como grandes estrelas do MCU, especialmente no caso de Olsen. Assim como Robert Downey Jr., ela tem o tipo de pedigree hollywoodiano que permite a construção de uma franquia ao seu redor sem causar problemas desnecessários para os produtores e demais realizadores. Se a Feiticeira Escarlate não se tornar uma completa vilã, ela pode, ao lado do Doutor Estranho, fazer parte de um novo “núcleo duro” do MCU, antes formado por Capitão América (Chris Evans), Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) e Thor (Chris Hemsworth).

O fato é que, em WandaVision, a personagem deu ao MCU a oportunidade de sair dos próprios moldes temporariamente, explorando novas possibilidades dramáticas e narrativas. Esse tipo de inovação é vital para a sobrevivência da mega-franquia, que pode ficar repetitiva se Feige se acomodar nos mesmos tipos de histórias e de linguagens. Enquanto a Warner não conseguir estabilizar o DCEU, o principal concorrente do MCU segue sendo o próprio MCU. Por enquanto, ele consegue se manter magicamente relevante e inovador.

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