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Crítica: Oxigênio

Oxygène, EUA/França, 2021


Filme não preza pela originalidade, mas executa muito bem suas familiares premissas e reviravoltas

★★★☆☆


A originalidade está longe de ser um dos destaques de Oxigênio, mas o diretor Alejandre Aja consegue manter o suspense intenso o suficiente para garantir a atenção e o entretenimento do espectador. A ambientação claustrofóbica e as reviravoltas “chocantes” são comuns a vários outros filmes, fazendo dessa produção da Netflix uma bem executada mistura de filmes de sobrevivência como Águas Rasas (crítica aqui) e Jogo Perigoso com filmes de ficção científica como I Am Mother e Archive.

Quando Liz (Mélanie Laurent) acorda presa em uma câmara criogênica com uma quantidade reduzida de oxigênio, o primeiro filme que vem à memória do espectador é Enterrado Vivo, suspense psicológico estrelado por Ryan Reynolds. A diferença é que em Oxigênio a protagonista pelo menos tem a “companhia” da inteligência artificial MILO (Mathieu Amalric), que gerencia a câmara e é capaz de lhe oferecer explicações. O grande problema é que ela está sem nenhuma memória de quem ela é e de como ela foi parar ali, o que significa que ela sequer sabe quais são as perguntas corretas a serem feitas para MILO.

oxygen 2Apesar de ser um pouco mais longo do que o ideal para essa trama (100 minutos que poderiam facilmente ser reduzidos para 80 ou 90), Oxigênio diminui a espera ao fazer grandes revelações a partir da metade do filme. Enquanto a primeira metade apresenta a angústia de Liz e a coloca em contato com figuras misteriosas, a segunda é repleta de reviravoltas. Toda vez que o espectador acha que o mistério está inteiramente resolvido, um novo detalhe surge, deixando-o curioso pela próxima curva que a história vai fazer.

O filme é inteiramente ancorado na performance de Laurent, com outros personagens participando apenas via voz ou em rápidos flashbacks. Enquanto Aja se esforça para encontrar ângulos interessantes no espaço limitado, é Laurent quem transmite a maior parte da tensão que a trama precisa para se manter interessante. Mais que isso, é ela quem consegue manter o filme convincente mesmo quando a história se enverada por tramas muito familiares no gênero da ficção científica. Se sua performance não funcionasse muito bem, o restante da produção também não funcionaria.

Apesar de não apresentar nada realmente grandioso, Oxigênio oferece um envolvente suspense no mundo da ficção científica. A falta de originalidade da trama não impede que as questões levantadas façam o espectador refletir por pelo menos alguns minutos depois do fim da sessão, seja pelas ideias mais filosóficas ou seja pelo impacto dramático da história.