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Crítica: Imperdoável

The Unforgivable, EUA/Reino Unido/Alemanha, 2021


Netflix · Trailer · Filmow · IMDB · RottenTomatoes

★★★☆☆


Se focasse apenas no drama de uma ex-presidiária que está tentando reconstruir sua vida, talvez Imperdoável seria um dos grandes filmes do ano. Porém, a trama se dilui em várias subtramas que, apesar de interessantes, não estão no mesmo nível que a trama principal. Para piorar, a história termina com um plot twist que, além de ser perfeitamente previsível, reduz o peso do comentário social feito anteriormente. O filme é salvo por uma performance hipnotizante de Sandra Bullock, que evita que a trama colapse sob o próprio peso.

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Todos os penduricalhos desnecessários devem ter feito sentido na obra original, a minissérie britânica Unforgiven (2009), que teve três episódios. Porém, em forma de cinema, faria mais sentido reduzir o escopo da trama e focar inteiramente na vida de Ruth (Bullock) e em sua busca pela irmã Katherine (Aisling Franciosi). Algo semelhante foi feito no filme As Viúvas (crítica aqui), que também é uma adaptação americana de uma série britânica. Infelizmente, em Imperdoável, isso eliminaria a necessidade dos personagens interpretados por lendas como Viola Davis, Vincent D’Onofrio e Jon Bernthal, mas esse seria um sacrifício que faria bem à história.

Quem também ficaria de fora seriam os irmãos Steve (Will Pullen) e Keith (Tom Guiry), cuja trama de vingança se mistura com um drama pessoal que fica muito mal desenvolvido. Apesar da diretora Nora Fingscheidt conseguir manter uma fantástica atmosfera de tensão, a inserção dos elementos de suspense ajuda a diminuir o impacto do drama. Seria muito mais interessante ver até onde Ruth conseguiria ter ido sob o estigma de ser uma ex-presidiária que assassinou um policial.

Essa premissa, combinada com a fantástica atuação de Bullock, poderia ter resultado em um filme mais contemplativo, como Nomadland (crítica aqui), ou em uma história sobre perseverança, como a de Bantú Mama (crítica aqui). Uma abordagem mais focada e energética poderia resultar em um drama tão impactante quanto o aclamado Inverno da Alma, que também abordou questões sociais em uma realidade de pobreza e violência. Porém, Imperdoável acaba ficando mais próximo de Pequenos Delitos, um drama da Netflix bem menos sério e bem mais pessimista, e que também mostra as atribulações de uma pessoa que acabou de sair da prisão.

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Isso não quer dizer que Imperdoável seja um fracasso. Nos muitos momentos em que funciona, o filme funciona muito bem. Seja quando Ruth revela seu segredo para Blake (Bernthal) ou quando ela está discutindo aos gritos com Liz (Davis), a atuação de Sandra Bullock e a atmosfera criada por Fingscheidt comunicam de forma perfeita o desespero de uma pessoa que está tentando retomar sua vida e reestabelecer o único laço afetivo que ela tinha antes de ser presa. Além disso, a trama levanta várias questões morais sobre o sistema criminal e sobre a diferença entre justiça e vingança.

Mas é justamente por causa dessas qualidades que Imperdoável deixa a impressão de que poderia ter sido um filme muito melhor. Tanto a atuação de Bullock quanto os temas tratados pelo roteiro mereciam uma obra mais enxuta e refinada. Por enquanto, essa versão da história terá que ser suficiente.

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