Modo Noturno:

Textos Contraculturais e 10 Filmes Para Harmonizar com Eles

Eles varavam as ruas juntos absorvendo tudo com aquele jeito que tinham no começo e que mais tar­de se tornaria muito mais melancólico e perceptivo… mas nessa época eles dançavam pelas ruas como piões e eu me ar­rastava atrás como sempre tenho feito toda minha vida atrás de pessoas que me interessam, porque as únicas pessoas que me interessam são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, que querem tudo ao mesmo tempo, aqueles que nunca bocejam ou falam chavões… mas queimam, quei­mam, queimam como fogos de artifício pela noite.

Jack Kerouac, On The Road – O Manuscrito Original, na tradução de Eduardo Bueno e Lúcia Brito

Na parte com os “Textos Contraculturais” de seu Textos Contraculturais, Crônicas Anacrônicas & Outras Viagens, o jornalista (e outras coisas mais) Eduardo Bueno investiga a alma da Geração Beat com paixão e sinceridade que transbordam de suas bem escritas linhas. Originalmente publicados entre os anos 1980 e os 2010, esse conjunto de análises, testemunhos e entrevistas cobre dos aspectos mais libertariamente inspiradores aos mais decepcionantemente humanos desse movimento, a começar pela…

1. Na Estrada (2012)

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…ascensão e queda de Jack Kerouac. Bueno lembra com respeito e melancolia da trajetória do homem que escreveu o ousado, aventureiro e transgressor On The Road (adaptado para o cinema em 2012 com o filme Na Estrada) mas acabou se tornando um ressentido e conservador recluso até sua morte causada pela cirrose aos 47 anos.

Talvez a maior virtude da obra-prima de Kerouac seja capturar a inquietude de uma juventude que está em busca daquele certo sei-lá-o-quê, aquela fagulha primordial de vida que faria com que tudo faça sentido e te daria a certeza de que vai ficar tudo bem, e que tornaria essa existência não apenas tolerável mas também genuinamente prazerosa. Regojizante. Sei lá, feliz.

É a busca por alguma forma de salvação por meio da estrada, do caminho sem rumo, da viagem sem destino, das…

2. Docinho da América (2016)

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…possibilidades proporcionadas pelo desconhecido; a busca por alguma alguma coisa sem nome e fadada a jamais ser encontrada; é encarar a escuridão causada pela incerteza do futuro e seguir em direção a ela, iluminando-a e usando a criatividade e a resiliência para improvisar e resistir conforme a vida for te atingindo e o tempo te consumindo.

No fim das contas, essa busca não é tão diferente da busca pela salvação na religião e em seus paternais deuses, ou na confortável certeza de seus dogmas, ou nos “dogmas” de ideologias políticas, ou nas crenças místicas em energias tão mágicas quanto primordiais, ou no amor como sentimento transcendental (e não como mecanismo otimizador da perpetuação da espécie), ou na natureza como entidade consciente tomando decisões para resistir aos ataques dos vis seres humanos (o que ignora a realidade de que não estamos separados dela e que mesmo os nossos carros, prédios e concreto fazem parte do grande ecossistema global).

É a busca na qual a adolescente Star (Sasha Lane), protagonista de Docinho da América, embarca para escapar da dura realidade de seu lar, abraçando as possibilidades abertas pelas duras realidades das estradas norte-americanas enquanto tenta vender assinaturas de revistas ao lado de um festivo e condenado grupo de jovens tão desajustados e perdidos quanto ela.

E é também Hilda Hilst e sua obscena Senhora D em busca de Deus seja no amor ou seja no olho da porca; são as buscas dos dois protagonistas de Fellini interpretados por Mastroianni em A Doce Vida e Oito e Meio (ou mesmo as interpretadas por Masina em Noites de Cabíria e A Estrada da Vida); é Machado de Assis observando…

3. O Grande Lebowski (1998)

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…a natureza metafísica do sentimento causado pela aquisição de um novo par da calçados e se perguntando:

A felicidade será um par de botas? Esse homem, tão esbofeteado pela vida, achou finalmente um riso da fortuna. Nada vale nada. Nenhuma preocupação deste século, nenhum problema social ou moral, nem as alegrias da geração que começa, nem as tristezas da que termina, miséria ou guerra de classes, crises da arte e da política, nada vale, para ele, um par de botas. Ele fita-as, ele respira-as, ele reluz com elas, ele calca com elas o chão de um globo que lhe pertence. Daí o orgulho das atitudes, a rigidez dos passos, e um certo ar de tranquilidade olímpica… Sim, a felicidade é um par de botas.

E as botas funcionam não porque elas sejam a concretização de um renascimento de seu novo proprietário, mas sim porque causam nele essa impressão; é a ideia do novo par de botas que libera em seu sistema nervoso o galopar de alguns dos quatro cavaleiros (ou melhor, o sapateado de algumas das quatro bailarinas) da felicidade: endorfinas, serotonina, dopamina e oxitocina. Quaisquer selvagens alterações de humor ou de consciência causadas tanto pelos acontecimentos da vida quanto pelo consumo de substâncias alternativas podem ser rastreadas até se chegar na atuação desses mediadores químicos em nossos neurônios.

Mediadores esses cujas deficiências podem causar estresse mesmo em um cara calmo e relaxado como Jeffrey “O Cara” Lebowski (Jeff Bridges), especialmente quando ele é confundido com um ricaço ranzinza e reacionário que o recruta como portador do dinheiro para o resgate de sua jovem esposa depois que ela foi sequestrada por uma gangue de alemães niilistas que atuam em vídeos pornográficos. Apesar da ajuda de cigarros artesanais baseados em ervas naturais, ele perde a calma mais de uma vez nesse cult stoner noir (sim, é isso mesmo), se tornando um resolvedor de problemas comparável apenas ao…

4. Vício Inerente (2014)

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…detetive quase sóbrio de O Perigoso Adeus ou ao detetive hippie e enevoado de Vício Inerente. Esse último é baseado em um romance de Thomas Pynchon, escritor influenciado pela geração beat e conhecido por suas longas e complexas histórias, o que também é o caso da citada adaptação cinematográfica. No romance, a seguinte citação revela um pouco da ambivalência que o autor desenvolveu em relação ao movimento hippie, com o qual se envolveu brevemente durante os anos 1960:

Geralmente, lidar com o hippie é algo simples. Sua natureza quase infantil vai usualmente responder positivamente a drogas, sexo e/ou rock and roll, apesar de que a ordem na qual eles são aplicados deve depender das condições específicas do momento.

No filme, Doc (Joaquim Phoenix) tenta encontrar sua ex-namorada depois que ela lhe revela uma intricada história de sequestro e traição envolvendo seu novo e bilionário namorado enquanto navega por outros casos e consome todas e quaisquer substâncias exóticas que encontra pelo caminho. Felizmente, a narrativa segue fielmente a linha de raciocínio de seu protagonista e não faz lá muito sentido, o que imerge o espectador numa lisérgica viagem pela Califórnia dos anos 1970.

Mas voltando ao que eu acredito ser o principal assunto desse post, foi também nessa época que Eduardo Bueno teve seus primeiros arroubos contraculturais, conforme ele mesmo narra na apresentação dessa coletânea de textos. As escolhas que ele fez em 1975 o levariam não apenas a devorar os textos do movimento beat, mas também a pegar a estrada e entrevistar alguns dos seus maiores expoentes, como…

5. Versos de um Crime (2013)

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Allen Ginsberg, que Bueno entrevistou em 1992, em Nova York. O poeta é um dos protagonistas (interpretado por Daniel Radcliffe) de Versos de um Crime, filme que conta uma das versões dos acontecimentos que culminaram em um controverso caso de assassinato em 1944. O outro protagonista é Lucien Carr (interpretado por Dave Dehaan), o beat que uniu o grupo fundador e que ficou pelo caminho depois de assassinar o professor universitário David Kammerer (Michael C. Hall) e cumprir dois anos de prisão.

Além de Ginsberg e Carr, o círculo de amigos também incluía Jack Kerouac (Jack Huston), sua namorada Edie Parker (Elizabeth Olsen) e William Burroughs (Ben Foster). Kerouac e Burroughs foram considerados “testemunhas materiais”, detidos pela polícia (em algo como uma condução coercitiva) e liberados depois de terem suas fianças pagas (a de Burroughs pelos seus abastados pais e a de Kerouac, cujo pai se recusou a pagar, pelos pais de Parker, sob a condição de se casar com ela imediatamente).

Desses, o único outro membro do grupo original entrevistado por Bueno foi…

6. Trainspotting: Sem Limites (1996)

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…William Burroughs, o mais lendário dos junkies, que começou oficialmente sua carreira depois de ressurgir do fundo do poço: no México em 1951, durante uma brincadeira de tiro ao alvo, ele matou acidentalmente sua esposa Joan Vollmer, que também era viciada e integrante do movimento beat. Em 1953, Burroughs publicou o romance semi-autobiográfico Junkie, no qual relata seus anos como viciado e traficante de drogas.

Nesses anos, eles provavelmente viveram como os personagens de Trainspotting: Sem Limites e escolheram um outro tipo de vida. Como o protagonista Renton (Ewan McGregor) conclui depois de seu monólogo “Escolha a Vida”, ao som de Lust For Life (original em inglês aqui):

Mas por que eu faria uma coisa dessas? Eu escolho não escolher a vida. Eu escolho outra coisa. E os motivos? Não há motivos. Quem precisa de motivos quando você tem heroína?

Na continuação, que se passa 20 anos depois e foi intitulada T2: Trainspotting, Renton se encontra exatamente no tipo de vida que ele havia escolhido não escolher e que talvez seja o único tipo que exista: a normal. (Talvez seja inútil tentarmos escapar do previsível ciclo de nascer, crescer, se reproduzir, envelhecer, morrer enquanto nos distraímos em busca de uma elusiva felicidade e ignoramos a realidade de que estamos todos apenas obedecendo o mesmo conjunto finito de básicos instintos animais, enquanto construímos narrativas de romance e superação na esperança de dar algum significado à coisa toda.) À beira de um divórcio durante uma crise de meia idade causada por sua eminente demissão e por um ataque cardíaco, Renton parte para uma nostálgica viagem em busca de sentido, ou de descobrir onde foi que as coisas deram errado. Pelo menos, ele não se entregou ao conformismo, como pode ser visto na nova versão do velho monólogo (original em inglês aqui).

O que Renton e seus amigos não conseguiram enxergar em sua ingênua juventude é que o extensivo consumo de drogas e a proverbial abertura das portas da percepção não representam alternativas válidas para a vida previsível e decepcionante que eles estavam tentando evitar. O abuso de substâncias não oferece nem respostas para as grandes questões e nem soluções para seja lá quais problemas eles estavam tentando resolver, e faz isso deixando uma longa fila de mortos e feridos pelo caminho, com vidas destruídas e erros irreparáveis cometidos. O mesmo pode ser dito sobre os membros mais empolgados do movimento da contracultura, cujos decepcionantes resultados são muito…

7. Medo e Delírio (1998)

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…bem expressados por Hunter S. Thompson em seu livro Medo e Delírio em Las Vegas (adaptado para o cinema em 1998) e suas memórias de São Francisco:

Havia loucura em qualquer direção, em qualquer hora. Senão pela Baía, então pela Golden Gate ou descendo a rodovia 101 para Los Altos ou La Honda… Você poderia disparar faíscas em qualquer lugar. Havia um fantástico senso universal de que qualquer coisa que estávamos fazendo era a coisa certa, que estávamos vencendo…

E essa, eu acho, era a muleta – aquele senso de vitória inevitável sobre as forças do que era Velho e Maligno. Não de forma cruel ou em um sentido militar; não precisávamos disso. Nossa energia iria simplesmente prevalecer. Não havia sentido em resistir – tanto do nosso lado quanto do lado deles. Nós tínhamos todo o momentum; estávamos na crista de uma bela e gigantesca onda…

Então agora, menos de cinco anos depois, você pode subir uma íngrime colina em Las Vegas e olhar para o oeste, e com os olhos certos você quase pode ver a marca da água – aquele ponto no qual a onda finalmente quebrou e retrocedeu.

Essa visão pessimista pode até ser válida para os aspectos mais mágicos e lisérgicos do movimento, mas ele não se reduz a isso. A contracultura deixou importantes marcas na política e na sociedade como um todo, como a revolução sexual, o ambientalismo, o movimento dos direitos civis, a discussão sobre o uso de energia nuclear, dentre outras.

O próprio Thompson criou o jornalismo gonzo, um estilo literário que é extensão do New Journalism, sobre o qual Bueno discorre em um dos seus Textos Contraculturais. Depois de discorrer sobre como e onde o estilo teria nascido, ele perfila três dos prováveis pais: Truman Capote, Tom Wolfe e Norman Mailer.

Bueno também toca na questão do sucesso e do fracasso de uma geração quando lembra suas entrevistas com…

8. O Lobo de Wall Street (2013)

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Jerry Rubin e Abbie Hoffman, dois ex-líderes estudantis que trilharam caminhos bem diferentes. Enquanto Hoffman seguiu nas lutas alternativas, Rubin se tornou um bem-sucedido empreendedor em Wall Street. Ora, uma vez feita a associação, fica fácil identificar alguns pontos em comum entre os excessos da contracultura e os excessos dos donos do dinheiro nos EUA.

Talvez o maior exemplar dessa intersecção nem seja Rubin, mas sim Jordan Belfort, interpretado por Leonardo DiCaprio no filme O Lobo de Wall Street. A narrativa mostra a trajetória de Belfort de corretor sem perspectiva a tubarão insaciável, operando um esquema fraudulento que tirou o dinheiro suado de milhares de norte-americanos enquanto consumia quantidades cavalares de alguns dos alucinógenos mais potentes já colhidos ou sintetizados pela humanidade, além, é claro, de drogas mais “convencionais”: álcool, maconha, cocaína e dinheiro.

Sua trajetória é mais uma evidência de que a combinação de sexo, drogas e rock’n’roll é muito mais pragmática do que parece e não está comprometida com nenhuma corrente de pensamento ou comportamento. Ela pode ser adotada tanto por hippies paz e amor quanto por pessoas com claros traços de psicopatia.

O dinheiro também é um fator importante para os dois…

9. Sem Destino (1969)

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…motoqueiros que protagonizam Sem Destino (mais conhecido pelo título original, Easy Rider), o grande “blockbuster da contracultura”. Depois de receberem o pagamento referente ao contrabando de cocaína do México para os EUA, Wyatt (Peter Fonda) e Billy (Dennis Hopper, que também dirige a produção) partem de Los Angeles rumo a Nova Orleans para aproveitarem o Mardi Gras. No caminho, eles entram em contato com o zeitgeist da contracultura e com a resistência contra ela.

Além de encontrarem a aceitação e a hospitalidade tanto de americanos comuns quanto de uma comunidade hippie, eles também têm violentos encontros com cidadãos que não aceitam a novidade do estilo de vida livre e libertário.

A liberdade parece ser a maior ameaça para essas pessoas que se agarram com todas as forças a certezas absolutas e inquestionáveis, sejam elas de natureza cultural, política ou religiosa. Incapazes de aceitar quaisquer outros pontos de vista ou estilos de vida, elas se sentem inseguras diante da mera existência de seres humanos que divergem da conformidade, e, por isso, reagem violentamente. Para manter a coesão de seus bem delimitados pontos de vista (em um claro exemplo de dissonância cognitiva), elas precisam se considerar superiores e destruir quaisquer elementos que as lembrem de que o universo é muito maior e a experiência humana muito mais diversa do que elas querem acreditar. Para elas, existem apenas uma ou duas formas corretas de se existir.

Ao invés de partirem em busca daquele certo sei-lá-o-quê, essas pessoas precisam se convencer de que aquilo o que elas têm e aquilo o que elas são já correspondem a tudo o que há para ter e ser; elas precisam se convencer de que estão satisfeitas. Mas a insatisfação e a…

10. The Beach Bum (2019)

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desobediência são os maiores combustíveis das mudanças que mantêm o mundo evoluindo ao longo do tempo. A contracultura causou mudanças na sociedade não porque tudo o que ela fez foi correto, mas sim porque o que ela fez de correto causou o avanço dos ponteiros do relógio da História.

E tudo começou com uns caras de índole questionável inovando na arte e na cultura: Little Richard e Chuck Berry (que Bueno presenciou em uma “missa pagã” descrita em uma resenha de 1993) inventando o rock’n’roll; Robert Crumb e Gilbert Shelton (entrevistados por Bueno em 1995) abrindo as portas para os controversos underground comix; Ken Kesey e o ônibus alucinante dos Merry Pranksters, que contava com a preciosa ajuda do Grateful Dead; a viciada e viciante geração beat adotando o marginal Neal Cassady como inspiração para por o pé na estrada e, posteriormente, revolucionar o mundo literário, influenciando nomes como Bob Dylan e Charles Bukowski (que é outro dos entrevistados por Bueno).

Assim como nas aventuras do bem-sucedido poeta fracassado Moondog (Matthew McConaughey) em The Beach Bum, nem todo mundo saiu ileso (ou vivo) dos excessos da contracultura. O próprio Jack Keroauc se isolou do movimento e faded away, enquanto seu muso inspirador (e amigo, e amante) Neal Cassady burned out no deserto mexicano. E como no resto da História, a história da geração beat também é sobre o que poderia ter sido: e se Lucien Carr não tivesse cometido um assassinato? E se Cassady, o original dono da voz literária que seria eternizada por Kerouac, tivesse uma educação formal e uma carreira própria?

Mas é sempre bom lembrar que nenhum de nós sai ileso (ou vivo) da eterna busca que começamos no exato momento no qual chegamos nesse mundo. Como escreveu aquele que é o mais famoso dos bardos: “A vida é uma história contada por um tolo, cheia de som e fúria, e sem nenhum significado.”