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Coronavírus: Curas Possíveis

Até agora, a melhor “cura” conhecida para a atual pandemia de COVID-19 é a prática da testagem em massa seguida de rastreamento de contatos e isolamento de casos confirmados e suspeitos. Foi assim que países como a Coreia do Sul e o Vietnã conseguiram controlar o espalhamento da doença e a perda de vidas. Porém, diferentes regiões possuem diferentes desafios para a implementação dessa técnica.

Quando ela não é viável (por falta de testes ou de organização), as autoridades são obrigadas a recorrer a longos e custosos confinamentos (ou lockdowns), decretando o fechamento da maior parte do comércio e permitindo que apenas profissionais essenciais se locomovam pelas cidades. O lockdown é uma medida desesperada e seus custos financeiro e social são muito altos, mas ainda são menores do que as perdas que ocorreriam se a doença saísse completamente de controle. Foi apenas com lockdowns que Itália e Espanha conseguiram controlar surtos que “travaram” seus sistemas de saúde e causaram as mortes de muitas pessoas em suas próprias casas, sem a menor possibilidade de atendimento médico, além de terem deixado muitas pessoas com sequelas.

No Brasil, o desafio é fazer a testagem em massa de uma população de 210 milhões de habitantes, pois não adianta fazer uma testagem parcial. Por exemplo, se uma cidade de 100 mil habitantes consegue fazer a testagem de 10 mil pessoas (rastreando e isolando os contaminados), isso não é o suficiente, pois os contaminados entre os outros 90 mil habitantes seriam mais do que o suficiente para causar o espalhamento descontrolado da doença. Para dificultar ainda mais, o esforço de testagem em massa e isolamento de casos positivos teria que ser mantido ao longo de vários meses. Ainda assim, essa é uma abordagem mais barata e eficaz do que o confinamento, que vem com um alto custo econômico.

O que os confinamentos gerais conseguem é ganhar tempo para que as autoridades possam implementar medidas mais eficazes, como o rastreio e isolamento de casos ou a vacinação em massa. Porém, no momento atual, depender do desenvolvimento de vacinas ainda exige muita paciência. Por mais que várias delas já estejam em fase final de desenvolvimento, muitos outros desafios ainda precisam ser superados para que elas cheguem a parcelas expressivas da população, o que provavelmente só ocorrerá no segundo semestre de 2021 ou em 2022.

Nesse meio tempo, as pessoas podem se sentir atraídas por remédios que prometem prevenção ou curas para a COVID-19, mas até agora nenhum deles teve eficácia comprovada. Candidatos como a cloroquina e seus derivados (ou mesmo a ivermectina), não tiveram sua eficácia comprovada nem em caso leves e nem em casos graves. Alguns remédios podem até ser usados para ajudar no tratamento de casos graves, mas isso não significa que eles devam ser consumidos indiscriminadamente ou preventivamente pela população, mesmo quando receitados por médicos “cautelosos”.

O consumo desses medicamentos é problemático porque eles possuem efeitos colaterais, alguns deles ainda desconhecidos pela ciência. Dessa forma, o uso “preventivo” pode acabar provocando danos ou causando doenças mesmo que a pessoa jamais seja contaminada pelo novo coronavírus. Na prática, não existe uma verdadeira cura para nenhum vírus. O que a maioria dos medicamentos faz é mitigar os efeitos das doenças provocadas por eles ou, no caso dos antivirais, impedir que eles contaminem mais células, dando tempo para que o nosso sistema imunológico se fortaleça e elimine o invasor.

Sendo assim, nós precisamos focar em formas mais eficazes e benevolentes de se evitar a contaminação. Uma das principais delas é o uso de máscaras. Além de serem capazes de diminuir as chances de contágio, elas também podem diminuir a gravidade da doença quando há a contaminação. Isso ocorre porque, mesmo em um ambiente com o ar contaminado, a pessoa com máscara recebe uma menor quantidade de partículas virais, ou seja, uma menor dosagem do vírus. Com uma carga viral reduzida, é menos provável que a infecção chegará aos pulmões ou a outros órgãos nos quais o novo coronavírus pode fazer muito estrago.

Outra forma de contágio que aumenta a carga viral é o que ocorre em aglomerações. A dosagem recebida durante uma interação com uma pessoa contaminada tende a ser muito menor do que a dosagem recebida quando se está em um grande grupo de pessoas, pois pode haver mais de uma pessoa contaminada nele. Além disso, a dosagem também pode ser maior quando se está em lugares fechados (por exemplo, com ar-condicionado), pois há menos espaço para o vírus, em gotículas ou aerossol, se dissipar.

A outra grande recomendação feita pelos especialistas é que se lave as mãos com certa frequência. Teoricamente, a contaminação que pode ocorrer quando tocamos no nariz e na boca deveria ser com uma baixa carga viral, mas nós tocamos o rosto com tanta frequência ao longo do dia que a contaminação pode ocorrer várias vezes, das mais variadas fontes, seja porque você apertou a mão de uma pessoa contaminada pela manhã ou porque você tocou em um corrimão contaminado à tarde. As possibilidades são infinitas, então é melhor não facilitar.

No geral, essas são as melhores práticas que temos agora (e nos próximos meses) para controlar a pandemia de COVID-19. São medidas simples que podem fazer muita diferença tanto para a nossa sobrevivência quanto para a nossa qualidade de vida nos próximos anos, evitando perdas de entes queridos e sequelas que poderiam limitar seriamente as nossas possibilidades no futuro. E para quem não acredita na eficácia desses métodos ou na gravidade da pandemia, é sempre bom lembrar: é melhor pecar pelo excesso de cuidados do que pela falta deles.

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