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Crítica: Top Gun – Maverick

Top Gun: Maverick, EUA, 2022


Trailer · Filmow · IMDB · RottenTomatoes

★★★★☆


Tom Cruise já mostrou mais de uma vez que sabe exatamente como fazer um ótimo blockbuster, e ainda assim ele nos surpreende com a milimétrica precisão de Top Gun: Maverick. Esse novo filme é uma “máquina” de nostalgia e adrenalina como poucas outras já vistas no cinema. O roteiro, os visuais, a trilha sonora e as caracterizações revisitam praticamente todos os elementos de Top Gun: Ases Indomáveis enquanto trazem a trama e os personagens para o Século 21. Mesmo com os clichês e exageros, essa máquina funciona impressionantemente bem.

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A overdose de nostalgia começa já nos créditos iniciais. Como se não bastassem as típicas cenas da rotina de um porta-aviões ao som do hino de Top Gun e da obrigatória Danger Zone, os créditos incluem os nomes de Don Simpson e Jerry Bruckheimer, dois influentes produtores hollywoodianos responsáveis por alguns dos grandes blockbusters dos anos 1990 e 2000. Seus nomes devem ser familiares para quem cresceu assistindo a filmes como Um Tira da Pesada, Os Bad Boys, A Rocha, Con Air, Armageddon e Inimigo do Estado.

Além disso, o filme é dedicado à memória de Tony Scott, lendário diretor do filme original, e conta com uma participação muito especial de Val Kilmer, ator que está afastado das telas devido a sérios problemas de saúde. Assim, Top Gun: Maverick transporta o espectador para uma outra época de Hollywood.

Obviamente, a mera presença de Cruise como o piloto Pete “Maverick” Mitchell já é um ótimo veículo de nostalgia. O personagem tem a ajuda não apenas de flashbacks do primeiro filme, mas também da escalação de Miles Teller como Bradley “Rooster” Bradshaw. Rooster é filho de Nick “Goose” Bradshaw (Anthony Edwards), parceiro de Maverick que morreu no primeiro filme, e seu relacionamento com o protagonista é marcado pelo ressentimento. Teller está perfeito no papel, dando o devido peso aos momentos mais dramáticos e a devida credibilidade ao seu incrível visual oitentista.

Nesse sentido, todas as personalidades e caracterizações dos novos pilotos de combate fazem um perfeito equilíbrio entre a temática nostálgica e a ambientação no Século 21, provendo humor e testosterona nas medidas certas. Quem também se encaixa perfeitamente nessas nostálgicas engrenagens é a atriz Jenniffer Connelly, que interpreta o estonteante interesse amoroso de Maverick. Felizmente, o relacionamento entre os dois é mostrado de forma bem mais realista e madura do que o restante da trama, mostrando um típico “romance de filme de ação” sem os típicos elementos mais inverossímeis.

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Top Gun: Maverick também surpreende pela profundidade dramática. Se Top Gun: Ases Indomáveis mostra o complicado processo de amadurecimento de um jovem e confiante piloto, Maverick mostra um teimoso veterano tendo que lidar tanto com os erros de seus passado quanto com as possibilidades para seu futuro. Sua própria identidade entra em jogo, já que ele percebe que não poderá ser um piloto de combate para sempre. De repente, ele se vê diante de uma última oportunidade de rever as escolhas que ele fez e os relacionamentos que ele não manteve. Não é nada digno de um Oscar, mas algumas das cenas podem tirar lágrimas dos espectadores.

Quanto à ação, é difícil encontrar palavras para descrever o que o diretor Joseph Kosinski e Tom Cruise, como produtor, colocam na tela. Não há tempo para analisar ou refletir sobre o que está acontecendo. O espectador é colocado em uma posição na qual ele pode apenas viver aquela experiência. Em alguns momentos, não é possível sequer saber o que foi que acabou de acontecer; você sabe apenas que algo aconteceu e que você estava junto com os pilotos nos cockpits dos F-18. Mesmo as cenas de treinamento são imbuídas de altos níveis de tensão e adrenalina. Quando a missão real finalmente chega, é perfeitamente possível que o espectador esqueça de respirar em alguns momentos.

Além das já citadas qualidades, o roteiro de Top Gun: Maverick também consegue a façanha de jamais revelar qual é a nação inimiga que os novos pilotos estão sendo treinados para atacar. Essa missão é a principal força motriz da narrativa e é explicada em detalhes mais de uma vez, mas o nome do país jamais é mencionado. Ainda assim, o contexto da missão (motivação, tipo de alvo, características do terreno, dentre outros detalhes) possui detalhes suficientes para causar um incidente diplomático com o Irã, país cujo programa nuclear tem sido alvo de ataques e polêmicas nos últimos anos. Fica a esperança de que os iranianos prefiram ignorar essa quase provocação.

Há vários acontecimentos exagerados e fantasiosos ao longo de Top Gun: Maverick, incluindo a absurda natureza da missão principal, que parece ter sido tirada de um Missão: Impossível. Porém, nem isso supera a improvável sequência de eventos que leva à última batalha do ato final. Há dois fatores que evitam que esse momento caia no ridículo: em primeiro lugar, o roteiro está ciente do quão absurdo aquilo tudo é e até extrai algum humor da situação; em segundo lugar, as cenas de ação resultantes dessas reviravoltas são tão divertidas e instigantes que acabam justificando os exageros.

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