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Crítica: The Flight Attendant – 1ª Temporada

The Flight Attendant, EUA, 2020


Série oferece um mistério instigante e dramático ao longo de oito rápidos episódios

★★★☆☆


Inspirada nos suspenses hitchcockianos, a série The Flight Attendant oferece uma diversão rápida e descompromissada. Isso não a impede de costurar ótimos arcos dramáticos tanto para a protagonista quanto para alguns dos coadjuvantes, apesar da maioria deles ser bem caricata e se limitarem a cumprir suas funções na trama. A série é escrita de uma forma que mantém o espectador sempre curioso pelo próximo desenvolvimento, seja na trama principal ou nas secundárias.

A trama principal mostra o desespero da comissária de bordo Cassie Bowden (Kaley Kuoco) quando ela se envolve em um assassinato internacional. Depois de passar a noite em Bangkok com o passageiro Alex Sokolov (Michiel Huisman), que ela conheceu durante o voo para a cidade, Cassie acorda ao lado do corpo sem vida do “sortudo”. Desesperada, ela limpa parte da cena do crime e tenta se lembrar do que exatamente aconteceu na noite anterior. Porém, o FBI logo começa a investigar o caso e ela perde rapidamente a linha de raciocínio.

O outro grande mistério de The Flight Attendant diz respeito ao passado da protagonista. Os eventos em Bangkok trazem à tona memórias traumáticas de sua infância, que podem ajudar a explicar a instabilidade e o alcoolismo funcional que marcam a sua vida. Durante sua improvisada “investigação”, ela tenta preencher seus lapsos de memória com a ajuda de uma versão imaginada do falecido Alex, que aparece em momentos inoportunos para conversar com ela.

As duas outras tramas que se destacam são as de suas amigas Ani (Zosia Mamet) e Megan (Rosie Perez). Enquanto Ani é uma advogada que acaba se envolvendo profundamente no caso de Cassie, Megan tem seus próprios segredos e seus próprios problemas. As duas são as únicas coadjuvantes desenvolvidas mais profundamente, o que pode levar a novas tramas se novas temporadas forem confirmadas. The Flight Attendant foi comissionada como minissérie, mas os realizadores claramente deixaram ganchos para novas histórias.

À medida que Cassie começa a desvendar uma elaborada conspiração que envolve mafiosos americanos e assassinos internacionais, The Flight Attendant começa a lembrar o exagerado mundo de espionagem de Killing Eve (resenha aqui), mas com menos drama e romance. A dramaticidade aqui está no fato de que, antes de resolver o inusitado assassinato, Cassie precisa encarar seus próprios traumas e pendências emocionais, reconhecendo que seu comportamento nunca foi tão inofensivo quanto ela acreditava ser. Esse é o aspecto mais sério e sombrio da trama, e ele só funciona graças a uma atuação dedicada e eletrizante de Kaley Cuoco.

Além das resoluções emocionais, The Flight Attendant também é repleta de cliffhangers, surpresas e reviravoltas muito improváveis, que nem sempre funcionam mas que também não precisam funcionar. Ambientada em Nova York, Bangkok e Roma, a série está muito mais interessada em oferecer um entretenimento envolvente e fácil de maratonar, sendo ideal para os descansos de fim de ano. Junte isso a uma trilha sonora cheia de energia, e a viagem está garantida.

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