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Crítica: Observadores

The Voyeurs, EUA, 2021


Observadores fica devendo nos quesitos drama e suspense, mas não decepciona em termos de sensualidade e eroticismo

★★★☆☆


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Se o principal objetivo de um thriller erótico for prover cenas extremamente picantes e momentos altamente provocantes, então Observadores é muito bem-sucedido. Porém, a lentidão da narrativa e o exagero nas reviravoltas evitam que o filme se torne um exemplar mais refinado desse subgênero. Apesar de começar muito bem, a trama exige um nível de paciência que não é realmente recompensado no ato final, que força a mão com revelações chocantes e planos elaborados.

observadores 1Por mais que tente fazer comentários mais profundos, o filme não consegue realmente sair da superficialidade. É o típico mundo de pessoas atraentes e bem-sucedidas seduzindo umas às outras e tendo que lidar com as “imprevisíveis” consequências dessas ações. No caso de Observadores, essa sedução ocorre principalmente por meio do voyeurismo, levando o casal formado por Pippa (Sydney Sweeney) e Thomas (Justice Smith) a se tornar obcecado com a vida sexual e amorosa dos vizinhos Julia (Natasha Liu Bordizzo) e Seb (Ben Hardy).

O filme é claramente influenciado por thrillers eróticos dos anos 1990, como Instinto Selvagem e Invasão de Privacidade, mas poderia ter se beneficiado da abordagem mais séria e dramática de um Infidelidade. Apesar disso, a produção faz um bom uso de suas influências hitchcockianas, acertando em muitos dos aspectos nos quais, por exemplo, A Mulher na Janela (crítica aqui) errou. Por mais que não esteja nem perto da excelência cinematográfica de A Criada (crítica aqui) ou da profundidade psicológica de Elle (crítica aqui), Observadores também está longe do festival de vergonha alheia e escolhas equivocadas da franquia Cinquenta Tons de Cinza.

O ritmo lento pelo menos serve para representar muito bem a forma pela qual Pippa vai gradualmente se deixando levar pela obsessão, que se manifesta não apenas pelo desejo mas também por um senso de responsabilidade pela vida dos vizinhos. O que fica claro na segunda metade da produção é que o que ela realmente deseja não é o corpo do vizinho, mas sim a sua fantasia de sedução. Apesar de já conhecer todos os seus truques, ela prefere se deixar levar pela “magia” e ter a mesma experiência que ela viu várias outras mulheres tendo.

observadores 2E mesmo sabendo que a coisa toda não é nada mais do que uma ilusão, ela prefere se sentir tão desejada e tão conquistada quanto as mulheres que estiveram com ele antes. É como se naquele momento ela estivesse finalmente participando dos “filmes” que assistia no apartamento dos vizinhos. É um sentimento que a maioria de nós entende perfeitamente, pois nós também assistimos e somos emocionalmente afetados por filmes e séries, mesmo sabendo que nada daquilo é real. São apenas sons, imagens e atuações, “fumaça e espelhos”, e ainda assim muitas pessoas se perdem na fronteira entre a fantasia e a realidade.

Para quem não estiver tão interessado no suspense e nas reviravoltas mirabolantes, Observadores pelo menos oferece a fantasia na forma dos corpos perfeitos de Sydney Sweeney, Natasha Liu Bordizzo e Ben Hardy, além, é claro, das várias modelos com quem seu personagem se envolve. As cenas picantes são realmente picantes, sendo tão sugestivas ou tão explícitas quanto o necessário para fazer subir a pulsação sanguínea do espectador.

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