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Crítica: Jungle Cruise

Jungle Cruise, EUA, 2021


Mesmo básico e sem muita ousadia, filme oferece diversão ação e aventura para toda a família

★★★☆☆


A fórmula Disney de diversão para toda a família é muito bem aplicada em Jungle Cruise, ainda que o filme peque por não apresentar nada realmente novo ou especialmente empolgante. Para espectadores mais jovens, a produção pode oferecer uma intensa jornada pelos rios da Amazônia. Para espectadores mais “experientes”, pode haver uma certa sensação de repetição, pois tudo o que é feito aqui já foi feito de forma melhor em franquias como Piratas do Caribe, A Múmia e Indiana Jones.

jungle cruise 1Todas as peças de sempre estão presentes: uma corrida por um tesouro, um casal de protagonistas que não se dá muito bem, um irmão atrapalhado, um vilão alemão e um vilão sobrenatural. Dessa vez, o casal é formado pela intrépida Lily (Emily Blunt) e pelo ganancioso Frank (Dwayne Johnson), em uma dinâmica muito similar a dos protagonistas de A Múmia (1999). O irmão atrapalhado é MacGregor (Jack Whitehall), o vilão alemão é o Príncipe Joachim (Jesse Plemons) e o vilão sobrenatural é ninguém menos que o conquistador Lope de Aguirre (Edgar Ramírez). A partir disso, o roteiro traça todos os caminhos esperados.

Para os olhos brasileiros, o filme traz um curioso Brasil fictício, revelando que a visão estereotipada/romantizada que os habitantes do hemisfério norte têm do país segue bem caricata. É uma visão que já dura séculos, com a lenda da mítica cidade de Eldorado atraindo tanto o Lope de Aguirre de Aguirre: A Cólera dos Deuses em 1560 quanto o Percy Fawcett de Z: A Cidade Perdida em 1925. Essas foram expedições bem diferentes daquela feita pelos documentaristas portugueses do filme Nheengatu (resenha aqui), que subiram o Rio Negro recentemente em busca das pessoas que ainda falam o idioma nheengatu.

jungle cruise 2Jungle Cruise acerta ao escolher a cidade de Porto Velho como ponto de partida da expedição, mas erra ao mostrar Lily e Frank negociando os valores da expedição em reais, moeda que só foi criada em 1994. Mas esses são detalhes insignificantes, pois a trama está mais interessada em mostrar a região como um lugar exótico e perigoso, ideal para uma divertida aventura. O mesmo foi feito na franquia Piratas do Caribe com os verdadeiros piratas tropicais, cuja história pode ser vista na série O Reino Perdido dos Piratas (crítica aqui).

Apesar dos anacronismos, o filme tem um bom roteiro e ótimas atuações. O que realmente prejudica Jungle Cruise é a total dependência de cenários virtuais e de outros efeitos especiais, impedindo que a ação seja realmente imersiva. Filmar na Amazônia poderia ser uma experiência tão cara quanto infernal, mas algumas cenas em locações poderiam fazer a diferença e elevar o nível da produção como um todo.