Modo Noturno:

Crítica: As Passageiras

Night Teeth, EUA, 2021


Esse é um bom filme de vampiro para pré-adolescentes que nunca viram um filme de vampiro em suas vidas

★☆☆☆☆


Tudo o que As Passageiras precisava fazer era pegar a trama de Colateral e adicionar alguns vampiros estilosos e alguns implacáveis caçadores de vampiros. Pelo menos, era isso o que seu trailer prometia. Ao invés disso, o filme insere vampiros e caçadores de vampiros em uma trama que parece ter sido escrita para o Disney Channel. A produção pode até ser divertida o suficiente para quem nunca assistiu a bons filmes sobre vampiros ou sobre noites alucinantes, mas deve decepcionar seriamente quem esperava intensidade e imprevisibilidade.

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Em Colateral, depois que é contratado para levá-lo a vários lugares durante uma única noite, um taxista descobre que seu passageiro na verdade é um assassino profissional que está na cidade para realizar várias execuções. A trama de As Passageiras poderia ser tão simples e eficiente quanto essa. Porém, além de dirigir para as vampiras Zoe (Lucy Fry) e Blaire (Debby Ryan), o motorista Benny (Jorge Lendeborg Jr.) também precisa lidar com rivalidades entre vampiros, rivalidades entre caçadores de vampiros e diálogos que estão o tempo inteiro explicando o que está acontecendo e o que vai acontecer.

As subtramas seriam menos maçantes se não fossem extremamente familiares. O vampiro Victor (Alfie Allen) tenta eliminar os líderes rivais e o caçador de vampiros Jay (Raúl Catillo) para poder governar a humanidade, o que é basicamente o plano do vilão de Blade: O Caçador de Vampiros. Já a situação de Benny lembra a do protagonista de A Hora do Espanto, mas sem a ameaçadora imprevisibilidade das duas versões desse filme. Além disso, nenhuma das festas vampirescas lembra a intensidade da cena da boate de Blade ou do bar de Um Drink No Inferno.

As Passageiras poderia ser uma perfeita mistura de Colateral com Céu Vermelho-Sangue (crítica aqui), recente filme da Netflix sobre vampiros a bordo de um avião. O filme também poderia ter trazido para o Século 21 a energia e a ousadia de Vamos Nessa, comédia cult que mostra as desventuras de um grupo de jovens ao longo de uma louca noite em Los Angeles e Las Vegas. O roteiro poderia pelo menos abraçar seu lado mais insólito e não se levar tão a sério, mas ao invés disso tenta inserir (sem sucesso) momentos genuinamente dramáticos e românticos em uma trama que não precisava de nenhum desses dois aspectos.

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Resumindo, As Passageiras inexplicavelmente desperdiça uma boa ideia com uma história previsível e com diálogos que em alguns momentos podem ser descritos apenas como “dolorosos”. O filme se destaca muito mais por tudo o que ele poderia ter sido do que pelo o que ele realmente é. Tudo o que a produção precisava era de um roteiro razoavelmente aceitável – não necessariamente bom, mas pelo menos aceitável – com muito menos conversa e muito mais sangue e ação.

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