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Crítica: All the Old Knives (Um Jantar entre Espiões)

All The Old Knives, EUA, 2022


Prime Video · Trailer · Filmow · IMDB · RottenTomatoes

★★★★☆


O roteiro de All the Old Knives não é tão afiado quanto poderia ser, mas é afiado o suficiente para garantir que a produção atinja os resultados esperados. Essa trama de espionagem só não chega no mesmo nível das histórias de John Le Carré por conter alguns exageros e por uma quase completa displicência em relação aos elementos políticos do mundo apresentado. Ainda assim, a história é bem-sucedida em realçar o aspecto humano dos personagens, especialmente ao expor os efeitos de todas as mentiras e traições sobre suas vidas.

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O fato de que o filme já começa com Henry Pelham (Chris Pine) recebendo de Vick Wallinger (Laurence Fishburne) a missão de extrair a verdade de Celia Harrison (Thandiwe Newton) causa uma certa estranheza. Nenhum personagem é realmente apresentado e a situação não é inteiramente estabelecida. É apenas quando Henry e Celia já estão sentados em um restaurante à beira mar na Califórnia que a história realmente começa a se desenrolar. E é por meio do diálogo entre os dois, intercalado com tórridos flashbacks, que se começa a ter uma ideia do quão profundo era o relacionamento entre eles e do quão grave foram os eventos que os separaram.

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Celia rapidamente entende que aquela amigável conversa entre ex-amantes também é um interrogatório. O objetivo de Henry é descobrir se ela é a pessoa que vazou informações relativas a um ataque terrorista oito anos antes, quando eles trabalhavam juntos no escritório da CIA em Viena. Qualquer um dos membros da equipe pode ser o culpado, mas as suspeitas maiores recaem sobre Celia e sobre seu superior direto, Bill Compton (Jonathan Pryce). Lá pela metade de All the Old Knives já é possível para o espectador desvendar a charada, mas ainda assim há algumas surpresas quando as motivações são reveladas.

Por mais que não voe tão alto quanto filmes como O Espião que Sabia Demais e O Homem Mais Procurado, All the Old Knives evidencia que ainda há boas histórias de espionagem para serem contadas. Ao invés de se ancorar em explosões e tiroteios, o filme se ancora nas ótimas performances de Chris Pine e Thandiwe Newton, que possuem uma ótima química em tela e elevam o nível do roteiro. Pine já havia interpretado o (analista da CIA que atua como) espião Jack Ryan em Operação Sombra, mas é aqui que ele tem a oportunidade de mostrar seu lado mais Robert Redford ou George Clooney de filmes como Três Dias do Condor e Um Homem Misterioso.

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No geral, All the Old Knives é muito mais indicado para fãs de Le Carré do que para fãs de thrillers de ação. Se inicialmente não há muito desenvolvimento de personagens, quando o filme termina várias das personalidades de cada um deles já foram reveladas. Mas essas revelações são feitas a conta-gotas, exigindo que o espectador tenha paciência e aprecie as conversas como se aprecia uma ótima refeição em um belo fim de tarde.

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