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Top 10 Infinitividades: As Melhores Séries de 2018

10. BoJack Horseman – 5ª Temporada

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Nessa 5ª temporada, os escritores de BoJack Horseman usam de muita meta-linguagem para voltar sua atenção para a própria série e seu processo criativo, além de analisar como seu cativo público enxerga e se identifica com seus problemáticos personagens. Tanto o drama como a comédia continuam afiadíssimos e não decepcionam quem já acompanha há alguns anos as angústias e o eterno processo de crescimento e aprendizado desses disfuncionais moradores de “Hollywoo”. Leia mais aqui.

9. Legion – 2ª Temporada

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A narrativa da segunda temporada de Legion é bem mais desafiadora que a da primeira, indo ainda mais fundo na veia experimental adotada pelo criador e showrunner Noah Hawley. Consequentemente, vários episódios possuem nenhum ou muito pouco avanço da trama, priorizando um aprofundamento na psique de seus personagens. A recompensa vem nos episódios finais, quando vemos as primeiras imagens de David Haller (Dan Stevens) como Legion, o personagem dos quadrinhos dos X-Men que dá título a série. Leia mais aqui.

8. Na Rota do Dinheiro Sujo

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Não seria estranho se depois de assistir às seis histórias de fraudes e abuso do poder econômico contadas nessa série de documentários os espectadores passassem a questionar os pilares do capitalismo.

São elas: a montadora de veículos que tem suas raízes no regime nazista e que se tornou o pivô de um escândalo de fraudes ambientais que atingem toda a indústria automobilística; a financeira que usava “laranjas” e práticas predatórias para cobrar altíssimos juros de empréstimos consignados; o grupo farmacêutico que abandonou as práticas dessa indústria e passou a agir como um fundo especulativo, colocando em jogo as vidas de milhares de pessoas; o banco internacional que ajuda poderosos cartéis do tráfico de drogas a guardar e lavar o dinheiro sujo; um mega roubo que revela as entranhas da indústria do xarope de bordo na província do Quebec, levantando a questão: o que fazer quando os próprios agentes do mercado agem contra a liberdade econômica?

E por fim, o magnata do setor imobiliário que se esforça para manter uma imagem de sucesso e riqueza que não corresponde à realidade, tornando-se uma questionável personalidade midiática e alcançando a presidência dos Estados Unidos da América.

7. Star Trek: Discovery

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O principal atrativo de Discovery é que ela subverte a fórmula da franquia Star Trek com uma primeira temporada repleta de reviravoltas e suspense. Ao invés do típico mote da estável tripulação vivendo aventuras no espaço, o que temos aqui é uma montanha-russa de acontecimentos durante uma guerra entre a Federação e o Império Klingon. Para se ter uma ideia, a nave USS Discovery só é introduzida no terceiro episódio e a tripulação fixa só é consolidada no sexto. Entretanto, nem todos os personagens “fixos” sobrevivem até o fim da temporada.

Todo esse dinamismo não significa que não há tempo para desenvolver personagens e relacionamentos. A protagonista da série é Michael Burnham (Sonequa Martin-Green), uma oficial da Federação que é metade humana e metade vulcana. As mudanças de status pelas quais a personagem passa ao longo dos três primeiros episódios já formam uma montanha-russa à parte, mas até o final da temporada ela passa por provações psicológicas que levariam pessoas menos resistentes a um colapso mental.

Os outros personagens também são muito bem desenvolvidos, o que apenas aumenta o impacto das mortes e traições que ocorrem ao longo da história. Para completar, a ação pode não ser impecável, mas é altamente empolgante, seja nas batalhas estelares, nos tiroteios estilosos ou nos duelos mortais.

6. Killing Eve

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Killing Eve gira em torno da obsessão que surge entre a analista do MI5 Eve Polastri (Sandra Oh) e a psicopata assassina profissional conhecida como Villanelle (Jodie Comer). Essas duas mulheres completamente diferentes desenvolvem uma intensa curiosidade uma pela outra justamente por serem opostas em quase todos os sentidos. A primeira temporada vai lentamente construindo um relacionamento entre caça e caçadora, com as duas protagonistas se revezando nesses dois papéis.

A atração entre elas não é exatamente romântica, e funciona em um nível mais psicológico ou mesmo filosófico. Eve se vê atraída pela vida intensa, dinâmica e sem amarras vivida por Villanelle, que contrasta com sua previsível e estável rotina matrimonial e profissional. Não é que ela não goste de seu marido ou de seu emprego, mas a existência de Villanelle abre seus olhos para outras possibilidades e para a manifestação de instintos que ela vinha reprimindo, ainda que ela não concorde com os atos da terrível assassina.

Algo semelhante ocorre na direção contrária. Villanelle parece ser incapaz de amar ou ser amada, e encontra prazer apenas nos bem planejados e executados assassinatos que ela é contratada para realizar. Há uma certa insatisfação ou curiosidade filosófica que ela manifesta ao fazer questão de assistir a vida se apagando nos olhos de suas vítimas. Eve representa para ela uma vida que ela nunca teve: estabilidade, segurança e amor correspondido são coisas que Villanelle jamais conheceu de verdade, e a plenitude de Eve lhe intriga.

Ao fim, o que as duas mulheres querem é trocar de lugar uma com a outra e experimentar uma outra vida, ainda que não estejam dispostas a substituir a vida que possuem agora. Tudo isso é mostrado com muita sinceridade e uma boa quantidade de humor negro, fazendo da série uma ficção tão dramática quanto cômica. A trilha sonora no material de divulgação também enriquece essa dinâmica, com canções como Issues e Killer Shangri-Lah.

5. Demolidor – 3ª Temporada

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Na terceira e mais sombria temporada de Demolidor, o herói (interpretado por Charlie Cox) decide rever seus métodos e motivações quando tem que enfrentar um Wilson Fisk (Vincent D’onofrio) mais poderoso e diabólico do que nunca. Enquanto o Demolidor/Matt Murdock vai lentamente se recuperando dos ferimentos sofridos em Os Defensores, Fisk vai cuidadosamente tecendo uma teia de corrupção e manipulação para lidar com os agentes federais responsáveis pelo seu caso. Ele tira a sorte grande quando conhece o agente Benjamin ‘Dex’ Poindexter (Wilson Bethel), um instável psicopata que se deixa manipular pelo ardiloso vilão.

O ápice da temporada ocorre no nono episódio, quando é revelado o quão profunda e terrível é a rede de manipulação montada por Fisk. Nesse momento, fica a impressão de que esse é um vilão impossível de ser derrotado ou, mesmo que seja, o estrago que ele fez já é destrutivo demais. Paralelamente, Murdock deve lidar com revelações que colocam em cheque toda a sua existência e esforços como Demolidor. Em outras palavras, no nono episódio fica claro que mesmo que o herói vença, os danos causados serão irreversíveis para os envolvidos.

Se essa realmente for a última temporada (a Netflix anunciou seu cancelamento no final de novembro), a série parte com um final satisfatório e bem amarrado.

4. Westworld – 2ª Temporada

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Em sua segunda temporada, Westworld desvenda a maioria dos mistérios apresentados na primeira e explora o que pode ser o tema principal das cinco temporadas planejadas para a série: o surgimento do livre arbítrio nos “seres humanos” artificiais. Nessa entrevista, um dos co-criadores da série diz que um dos motivos pelos quais eles decidiram explorar esse tema foi um artigo da The Atlantic que diz que não existe isso de livre arbítrio. Há um consenso na comunidade da neurociência de que isso é verdade, o que gera a polêmica sobre como devemos lidar com essa conclusão. No popular vídeo intitulado “Você Provavelmente Não Existe” (possui legendas disponíveis em português), o narrador defende a ideia de que a maioria das nossas ações são tomadas com base em impulsos inconscientes, ou seja, não é a nossa consciência quem toma essas decisões.

Considerações neurológicas ou filosóficas à parte, nessa temporada o espectador também é presenteado com episódios temáticos, como Akane no Mai (“A dança de Akane”), inteiramente passado no mundo Shogun do Japão Feudal, e Kiksuya (“Lembre-se”), que mostra o passado do líder da tribo indígena conhecida como Nação Fantasma na série. O foco momentâneo nos coadjuvantes expande o universo da série, que também dá novas dimensões aos protagonistas Maeve (Thandie Newton), Dolores (Evan Rachel Wood) e Bernard (Jeffrey Wright).

3. The Little Drummer Girl

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Na segunda metade do século XX, enquanto James Bond inseria o mundo da espionagem na cultura pop de forma sexy e cool, o escritor John Le Carré explorava em suas obras o aspecto humano do verdadeiro trabalho de espionagem realizado pelas potências ocidentais e orientais. Nas suas histórias, agentes dos dois lados do espectro ideológico da Guerra Fria usam cidadãos comuns como peões em um jogo de xadrez que ocorre longe do domínio público. Um de seus aclamados trabalhos é o romance “A Garota do Tambor”, agora adaptado para uma minissérie de seis partes para os canais BBC e AMC.

O curioso aqui é que o diretor Chan-wook Park insere o sexy e o cool mesmo nessa sombria história, principalmente por meio das cores e direção de arte aplicadas na produção. Porém, os personagens continuam longe dos “super-agentes” descendentes de James Bond, estando mais próximos de seres humanos reais capturados em uma ficção que pode lhes custar a vida. Leia mais aqui.

2. Condor

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Um dos motivos pelos quais Condor está em uma posição tão alta nessa lista é que essa é a série com a maior quantidade de suspense dentre as aqui citadas. Cada episódio possui pelo menos um momento que vai deixar o espectador roendo as unhas, apenas para, na maioria das vezes, concretizar o pior cenário possível. Mesmo personagens que parecem construídos para durarem por várias temporadas encontram um fim precoce nas mãos dos roteiristas dessa série.

Mas essa posição não é apenas uma questão de suspense. Os temas da narrativa são explorados de forma profunda, questionadora e, às vezes, poética. A trama na qual um analista da CIA é acusado de um crime que não cometeu é apenas o ponto de entrada para conversas sobre ideologia, fanatismo e moralidade, dentre outras questões. Leia mais aqui.

1. Wild Wild Country

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Ao longo dos episódios da série de documentários Wild Wild Country, o espectador vai conhecendo uma história real com muitos aspectos perturbadores e inacreditáveis. A jornada da comunidade de pessoas em busca de paz e equilíbrio em uma terra estrangeira impressiona inicialmente devido ao aparente fanatismo dos seguidores do guru Rajneesh, mas a coisa toda vai em outra direção quando esses mesmos seguidores recorrem à intimidação e violência para manter sua comunidade.

Os documentaristas tomam o cuidado de não escolherem “vilões” ou desumanizarem quaisquer um dos lados envolvidos no conflito, dando voz a todos que estão dispostos a falar e utilizando as imagens de arquivo de forma equilibrada e razoável. Ainda assim, ao fim dos seis episódios, o espectador poderia ter sua fé na humanidade seriamente abalada.

Porém, no episódio final, as surpreendentes reflexões dos envolvidos no conflito possuem um inesperado impacto emocional e recuperam um pouco da esperança perdida nos episódios anteriores. É possível concluir que existe sim esperança para a humanidade, mas a situação é complicada e requer calma e ponderação de todos os lados. Comentei brevemente sobre a série e sobre os perigos da devoção cega nesse post.