Os 15 (ou mais) melhores filmes que assisti em 2016

Sim, são os 15 melhores filmes que assisti em 2016, ainda que não necessariamente tenham sido lançados em 2016. Não se preocupem, já fiz isso antes.

E, com certeza, são mais de 15, pois não vou me limitar a comentar apenas um por posição. Deixa eu explicar: ¯\_(ツ)_/¯

15. Deadpool (2016)

O gênero de filmes de super-heróis já mostra seus primeiros sinais de cansaço, especialmente nas franquias mantidas pela 20th Century Fox. O estúdio, entretanto, ocasionalmente nos presenteia com algum filme fora da curva. Em 2016, esse filme foi Deadpool. Fruto de um trabalho apaixonado dos envolvidos, o herói mais politicamente incorreto da Marvel finalmente ganhou a adaptação que merecia, em um filme tão violento quanto engraçado. Grande sucesso de bilheteria apesar de ser restrito para maiores de 18 anos, o filme abre espaço para adaptações de quadrinhos mais sérias e adultas, como o próximo filme do personagem Wolverine.

Enquanto isso, a Marvel Studios parece estar ficando cada vez mais acomodada com seu bem sucedido universo cinematográfico. Capitão América: Guerra Civil e Doutor Estranho também são grandes destaques desse ano, mas, apesar de cada um introduzir novidades ao universo compartilhado (elementos místicos em Doutor Estranho e profundidade moral e dramática em Guerra Civil), o padrão visual e narrativo seguido por todos os filmes mais recentes acaba deixando a coisa toda razoavelmente previsível. Cada vez mais vamos assistindo esses filmes porque já começamos a acompanhar a “série” e agora queremos terminar, ao invés de esperarmos algo realmente novo. Isso não muda o fato de que vamos continuar assistindo (pelo menos, eu vou), seja pra terminar o que começamos, seja pra satisfazer nossa criança interior.

14. Corrente do Mal (2014)

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Nesse elogiado terror independente de 2014, uma jovem moça é perseguida por uma aterrorizante e misteriosa entidade. O terror é potencializado pelo fato de que a entidade não tem pressa alguma em atacar suas vítimas, podendo aparecer em qualquer momento do dia, em qualquer lugar, na forma de qualquer pessoa, andando calmamente em direção à vítima amaldiçoada. Isso cria um clima de tensão e incerteza quase palpável, tornando o filme umas das mais interessantes experiências de terror dos últimos anos. O fato de que a maldição é transmitida através do contato sexual apenas adiciona ao clima de terror, fazendo uso de medos reais associados a uma experiência sobrenatural.

2016 foi um ano muito positivo para o gênero, com três lançamentos que vale a pena mencionar: Quando as Luzes se Apagam, Sala Verde e O Homem nas Trevas. Curtos, simples e inteligentes, esses filmes abrem mão da maioria dos clichês esperados, criando experiências realmente novas mesmo para o espectador mais “experiente”.

13. Victoria (2015)

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Filmado em um incrível plano sequência de 134 minutos, Victoria entrega a ação alucinante prometida e um pouco mais. Mesmo nessa abordagem sem cortes, o roteiro consegue espaço o suficiente para desenvolver os personagens e as relações entre eles. A personagem-título conhece um grupo de rapazes na madrugada de Berlim, e pouco depois se envolve com eles em um improvisado assalto a banco. A fuga alucinante que se segue é intensa e realista como poucas vistas no cinema. É o tipo de filme que, ao fim, deixa o espectador tão cansado e emocionalmente abalado quanto os personagens (um exemplo desse estilo que não me canso de citar é o francês Pura Adrenalina, que, inclusive, está ganhando uma adaptação hollywoodiana). Como se não bastasse, nessas duas horas de história acompanhamos também a evolução emocional da protagonista, que termina o filme completamente diferente de quando a vimos no inicialmente.

Outra pequena obra-prima do cinema de ação que assisti em 2016 foi Hardcore: Missão Extrema. Inteiramente filmado em primeira pessoa, o filme tem ação do início ao fim, com história o suficiente apenas para manter o protagonista seguindo em frente. Durante a maior parte do tempo, o espectador não consegue nem imaginar as inovações técnicas que os cineastas utilizaram para realizar algumas das cenas, com lutas, tiroteios e saltos impressionantes sempre mostrados em primeira pessoa. É como estar dentro de um video game. Falando nisso, vale fazer uma menção honrosa a Spectral, o “filme video game da Netflix”. Suas principais qualidades são as longas sequências de ação, que nunca deixam a peteca cair, e o seu clima de filme de ação dos anos 90, tanto no roteiro, quantos nos personagens e nas interpretações. Não é difícil imaginarmos Nicholas Cage ou Tom Cruise interpretando o protagonista.

12. Animais Noturnos (2016)

50805_AA_4609_v2F Academy Award nominee Amy Adams stars as Susan Morrow in writer/director Tom Ford’s romantic thriller NOCTURNAL ANIMALS, a Focus Features release. Credit: Merrick Morton/Focus Features

Em Animais Noturnos acompanhamos a dolorosa jornada de auto-conhecimento da protagonista. Ela entra nessa jornada levada por um livro de ficção escrito pelo ex-marido, o que também pode ser considerado um amargo ato de vingança. Da minha crítica:

Animais Noturnos tem um visual que é em alguns momentos extremamente belo e em outros bastante chocante, mas sempre cativante e estiloso. Suas trágicas histórias e tristes personagens não deixam o espectador após o fim da sessão, ou mesmo nos dias seguintes a ela. Algumas cenas podem emocionar, mas a mensagem central do filme é de uma tristeza tão profunda que não permite que nenhuma lágrima seja derramada.

Em uma nota mais otimista, outros filmes que posso recomendar sobre fortes personagens femininas passando por momentos de auto-conhecimento são Tracks, que é baseado em fatos reais, e Ida, que foi vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2015.

11. Spotlight: Segredos Revelados (2015)

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O grande trunfo de Spotlight: Segredos Revelados é tratar com sobriedade o fantástico trabalho investigativo do qual trata. Baseados em fatos reais, o filme mostra como uma equipe de jornalistas do Boston Globe revelou uma rede de acobertamento de crimes sexuais mantida pela Igreja Católica nos EUA. Ao invés de encarar a justiça, padres que cometiam atos de pedofilia jamais eram processados e seus crimes nunca vinham a público. Publicada em 2002, a série de matérias resultante da investigação mudou a forma como o mundo via o papel da Igreja Católica ao lidar com esses casos. Mostrando o efeito emocional que as revelações tiveram sobre os jornalistas sem cair no dramalhão, o filme é um ótimo exemplar de cinema sério e inteligente, e em momento algum subestima a inteligência do espectador.

Já para contar a história real de A Grande Aposta, os envolvidos escolheram fazer uma muito bem sucedida mistura de comédia, documentário e drama, resultando em um dos filmes mais energéticos e informativos dos últimos tempos. Mostrando a genialidade e o oportunismo dos homens que preveriam (e lucraram com) a grande crise econômica de 2008, o filme vai fundo na irresponsável “feitiçaria financeira” que causou o derretimento de parte da economia mundial na década passada. Com várias estrelas no elenco e várias outras participações especiais, a inovadora abordagem narrativa torna palatável a explicação de assuntos sérios e complicados, sem abandonar o lado humano da catástrofe.

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