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Crítica: Vingança & Castigo

The Harder They Fall, EUA, 2021


Vingança & Castigo mistura dois subgêneros para dar origem a um faroeste moderno, empolgante e explosivo

★★★★☆


Promessas ousadas foram feitas no trailer principal de Vingança & Castigo, e todas elas foram mais que devidamente cumpridas. É difícil encontrar palavras para descrever o quão absurdamente cool e inegavelmente estiloso esse filme consegue ser. As caracterizações, os diálogos, a trilha sonora e a edição são apenas alguns dos aspectos que se combinam para formar um completo espetáculo de sons e imagens. A empolgação do diretor estreante Jeymes Samuel ao descrever o filme deixa bem claro que essa é exatamente a experiência que ele queria proporcionar.

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Mas ele não é tão estreante assim. Samuel já havia dirigido o curta-metragem They Die by Dawn, outro filme sobre pistoleiros negros entrando em conflito no velho oeste. A diferença é que agora, com o orçamento provido pela Netflix, ele pôde montar uma produção de luxo com um elenco tão impressionante quanto o do filme original, que contava com nomes como Rosario Dawson, Giancarlo Esposito e Michael Kenneth Williams. Agora, são Jonathan Majors, Idris Elba, Regina King, Delroy Lindo, Zazie Beetz e LaKeith Stanfield que lideram a ação.

Eles e os demais atores interpretam versões fictícias de pessoas reais, transformando as históricas figuras negras ou mestiças em verdadeiros heróis de ação. Nat Love (Majors), Rufus Buck (Elba), Stagecoach Mary (Beetz), Bass Reeves (Lindo), Cherokee Bill (Stanfield), Jim Beckworth (RJ Cyler), Cathay Williams (Danielle Deadwyler), Bill Pickett (Edi Gathegi) e Trudy Smith (Regina King) são colocados no mesmo período em uma história de rivalidade e vingança que lembra em muito aspectos a trama do faroeste espaguete Era Uma Vez no Oeste.

A personagem de Regina King é baseada em uma criminosa sobre a qual pouco se sabe, tendo-se apenas uma foto de quando foi presa por bater carteiras na Califórnia. Já Bass Reeves, que foi o primeiro delegado federal negro da História dos EUA, teve sua memória resgatada recentemente na minissérie Watchmen (2019), que também foi estrelada por King.

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Vingança & Castigo é uma mistura perfeita entre faroeste espaguete e blaxploitation, subgêneros que marcaram época e tiveram bastante influência na cultura pop. A carreira do diretor Quentin Tarantino foi significativamente influenciada por esses tipos de filme, que ele já havia combinado em Django Livre. A diferença é que o filme de Samuel tira o foco da tensão racial e procura mostrar personagens negros enfrentando problemas que não estão relacionados com a escravidão ou com o racismo. Se geralmente os negros eram apenas coadjuvantes nos faroestes antigos, em Vingança & Castigo são os brancos que ficam sempre em segundo plano.

Com esse filme, Jeymes Samuel traz os “espaguetes” para o Século 21 com toda a pompa e circunstância, seguindo muitas de suas regras e subvertendo outras. Vingança & Castigo é um grande presente tanto para os fãs do pistoleiro sem nome de Clint Eastwood na trilogia dos dólares quanto para quem acompanhou as várias encarnações do icônico personagem Shaft nos cinemas.

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