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Crítica: O Livro de Boba Fett

The Book of Boba Fett, EUA, 2022


Disney+ · Trailer · Filmow · IMDB · RottenTomatoes

★★☆☆☆


Quando a segunda temporada de The Mandalorian deixou o “caçador de recompensas mais temido da galáxia” na posição de liderança antes ocupada por Jabba the Hutt, os fãs de Star Wars se prepararam para novos níveis de tensão e violência nesse universo. Porém, O Livro de Boba Fett transforma o lendário Boba Fett (Temuera Morrison) em um “cara legal” e em um improvável “gangster do bem”, fazendo-o se encaixar nos padrões de bom-mocismo de outros heróis da franquia. Só isso já prejudica significativamente essa nova série.

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E como se isso não bastasse, a maioria dos episódios de O Livro de Boba Fett é escrita como se o público alvo da trama fosse formado por crianças dos anos 1980 que jamais assistiram a uma ficção científica ou a um faroeste. Além dos diálogos serem quase que comicamente expositivos, as decisões dos personagens são altamente improváveis e o desenrolar dos acontecimentos é perfeitamente previsível. Consequentemente, não há nem profundidade dramática e nem muita diversão na história, com exceção de algumas boas cenas de ação.

Há também as GRANDES exceções dos episódios cinco e seis, que entram 100% no modo The Mandalorian e relegam Fett ao papel de coadjuvante em sua própria série. Mesmo antes disso, o protagonista já tinha uma pegada de coadjuvante tanto na série quanto na organização criminosa que ele lidera, já que as decisões mais importantes são de fato tomadas por Fennec Shand (Ming-Na Wen) e por outros personagens. A impressão que fica é que a coisa toda ficaria mais direta e menos burocrática se Shand simplesmente assumisse o controle.

Já os episódios cinco e seis, que na prática são episódios de The Mandalorian, presenteiam os fãs com a primeira verdadeira continuação da trilogia original de Star Wars, além de introduzirem (ou reintroduzirem) personagens das séries animadas. Esses episódios praticamente justificam a existência da série e preparam o cenário para o mediano episódio final, que é melhor que os quatro primeiros. Ainda assim, esse dois ótimos episódios também exibem alguns dos sinais de que a franquia Star Wars não sabe muito bem para onde ir.

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Com exceção de Star Wars: Os Últimos Jedi e de Rogue One: Uma História Star Wars, as novas produções desse universo parecem estar presas na fórmula da trilogia original. Por exemplo, tanto Star Wars: O Despertar da Força quanto Star Wars: A Ascensão Skywalker tentaram basicamente refazer os filmes originais, adequando-os para as audiências atuais. Porém, esse esforço para reproduzir a “grandeza” do passado impede que a franquia faça o que ela realmente precisa fazer para se manter relevante: seguir em frente.

No geral, O Livro de Boba Fett é mais uma aventura passageira e cheia de atrações nostálgicas no universo de Star Wars. Com muito fan service e pouco conteúdo, a série se destaca pelos dois episódios que nem deveriam pertencer a ela e pelas oportunidades perdidas com o personagem principal. Justamente quando os fãs esperavam conhecer melhor um dos personagens mais implacáveis da franquia, a produção o apresenta reformado e bonzinho. Isso até funcionaria se essa transição tivesse sido muito bem escrita, mas esse não foi o caso.

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