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Top 10 Infinitividades: As Melhores Séries do Primeiro Semestre de 2019

* Não houve tempo hábil para avaliar/incluir algumas das séries lançadas em junho, como Dark e Jessica Jones. Possivelmente, serão inclusas na lista do segundo semestre.

10. Black Monday – 1ª Temporada

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Black Monday oferece uma explicação satírica e fictícia para os eventos que causaram a Segunda-Feira Negra, um crash na bolsa de valores de Nova York que derrubou também outros mercados ao redor do mundo em 1987. No universo da série, esse crash é um efeito colateral dos esquemas montados pelos protagonistas Mo (Don Cheadle), Blair (Andrew Rannells) e Dawn (Regina Hall) para controlar os papéis de uma grande empresa do setor têxtil.

Ao melhor estilo O Lobo de Wall Street, os 10 episódios da primeira temporada são uma montanha-russa de mentiras, reviravoltas, traições, manipulações, carros de luxo, mordomos-robôs, sequestros e cocaína, muita cocaína. Isso não quer dizer que seus personagens não tenham profundidade dramática: os traumas e as condições que moldaram suas personalidades são devidamente explorados e contextualizam o comportamento destrutivo desses adultos melancólicos e frustrados.

O ponto mais fraco dessa primeira temporada é seu episódio final, que apresenta mais reviravoltas do que o ideal e tenta reexplicar muitos dos acontecimentos dos cinco episódios anteriores. Ainda assim, ela merece ser conferida tanto pelo humor quanto pelo elenco de primeira linha.

9. Game of Thrones – 8ª Temporada

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Para todos os efeitos, a última temporada de Game of Thrones ainda é televisão de alta qualidade. Só não é o tipo de alta qualidade que era esperado.

Os fãs que passaram os últimos 8 anos acompanhando a série esperavam um final grandioso na forma de uma visceral e impiedosa trama política, que se passaria durante uma luta pela sobrevivência contra um inimigo sombrio e implacável. Porém, o que eles receberam foi uma luxuosa série de fantasia, com o mínimo possível de desenvolvimento de personagens e muita ação.

Os realizadores tentaram dar um final apenas explosivo para essa história épica, se esquecendo de que o que realmente prendia a atenção dos espectadores eram as sorrateiras e imprevisíveis intrigas palacianas. Talvez isso tenha sido feito na esperança de subverter as expectativas e impressionar o público, mas não foi esse o resultado.

8. True Detective – 3ª Temporada

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Depois do grande sucesso da primeira e da recepção morna da segunda, True Detective volta com uma terceira temporada mais sólida e menos ousada, detentora de suas próprias limitações.

Depois de 7 episódios permeados por um clima sombrio, uma moralidade cinzenta e notas de terror existencial, o episódio final da primeira temporada recebeu críticas negativas por ser demasiadamente focado na ação e reduzir a história dos protagonistas a uma luta do bem contra o mal, que termina com um final feliz. Para aplacar esses comentários, o criador Nic Pizzolatto deu à segunda temporada um final absurdamente (e quase comicamente) anticlimático e pessimista, beirando o niilismo.

Nessa terceira, ele volta para a fórmula de sucesso da primeira, mas com um final mais satisfatório, ainda que imperfeito. Dessa vez, o caso que domina a temporada também tem uma conclusão anticlimática (assim como na segunda), mas o foco da história vai para as vidas dos detetives Wayne Hays (Mahershala Ali) e Roland West (Stephen Dorff).

Isso mostra que Pizzolatto está muito mais interessado nas condições existenciais de seus personagens do que no mistério estabelecido. O crime no centro da trama é muito mais relevante pela forma como ele afeta a vida dos envolvidos do que pela busca por um culpado, como seria em uma típica história de detetives. Apesar disso causar certa frustração no espectador, essa abordagem funciona muito bem aqui, especialmente nos recompensantes minutos finais do último episódio.

7. Derry Girls – 2ª Temporada

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Derry Girls mostra a desventuras de um grupo de garotas (e um garoto) adolescentes na Irlanda do Norte dos anos 1990, durante o conflito armado que ocorreu no país entre 1968 e 1998. A série se destaca por mostrar a vida diária em um dos principais focos de conflito do mundo durante a segunda metade do Século XX, jogando luz sobre as experiências da população civil durante esse conturbado período.

A série tem um apelo universal por mostrar os típicos dramas e a ingenuidade da adolescência durante uma década que ainda está fresca na memória de muitos dos espectadores. Porém, aqui o pano de fundo é mais comum em filmes de ação ou em aulas de História, abordando temas como a relação entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte, as ameaças dos ataques terroristas do IRA e a presença do exército britânico nas ruas.

O humor de primeira qualidade é pontuado por momentos genuinamente emocionantes, contrastando a realidade de violência sectária que cerca as protagonistas com o otimismo e a esperança típicos de jovens que ainda estavam começando a viver suas vidas e a escrever suas próprias histórias.

6. Killing Eve – 2ª Temporada

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A segunda temporada de Killing Eve continua explorando a obsessão mútua entre a analista de inteligência Eve Polastri (Sandra Oh) e a psicopata Villanelle (Jodie Comer). Inicialmente, elas tentam superar a atração exercida uma pela outra e entram em negação em relação ao que estão sentindo. Porém, algumas reviravoltas depois, elas se mostram incapazes de controlar o próprio comportamento.

Essa temporada vai mais fundo nas diferenças e semelhanças entre uma obsessão e uma paixão. Enquanto Eve tenta racionalizar sua obsessão como um interesse estritamente profissional, Villanelle trilha o caminho mais comum de acreditar que está apaixonada por Eve e que um romance entre elas é inevitável. Daí em diante, é apenas uma questão de tempo até os primeiros sinais de um relacionamento abusivo aparecerem, como manipulação psicológica e ciúmes de natureza possessiva.

A introdução de novos “vilões” é o aspecto menos interessante da temporada, mas eles cumprem bem o papel de manter a história em movimento e colocar Eve e Villanelle em posições nas quais jamais estiveram antes.

5. Star Trek: Discovery – 2ª Temporada

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Das séries nessa lista, Star Trek: Discovery é a mais irregular. Enquanto alguns dos 14 episódios dessa segunda temporada são verdadeiras obras de arte, alguns outros são inexplicavelmente ruins, especialmente os que servem apenas para preparar o terreno para os grandes acontecimentos de episódios seguintes. Porém, na avaliação geral, os acertos compensam todos os erros e a série finalmente se mostra digna do selo Star Trek.

O grande destaque dessa temporada deveria ser a presença de Spock (Ethan Peck), um personagem icônico que é um dos mais populares da franquia. Porém, quem realmente se destaca é o Capitão Christopher Pike (Anson Mount), que tem sua história mostrada sob um outro ponto de vista. Se na série original ele foi reduzido a um personagem secundário com um destino terrivelmente trágico (depois de protagonizar um episódio piloto rejeitado pela emissora), aqui ele é mostrado como o que há de melhor na Frota Estelar, concentrando todos os ideais de honra e nobreza que são a base da Federação dos Planetas Unidos.

Embalada por muita ação, a temporada começa com o mistério do aparecimento de sete sinais em pontos remotos da galáxia, segue para a busca por Spock depois de seu inexplicável desaparecimento, mostra seu complicado relacionamento com sua irmã Burnham (Sonequa Martin-Green), e então entra na zona de atuação da Seção 31, que agora inclui a Capitã/Imperadora Georgiou (Michelle Yeoh, que irá ganhar um spin-off com a personagem). Tudo isso é muito bem amarrado em um season finale explosivo e surpreendente, que deixa a série em um ponto no qual nenhuma outra da franquia jamais esteve.

4. Boneca Russa – 1ª Temporada

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Em um semestre menos concorrido, Boneca Russa com certeza seria uma das candidatas ao trono.

Nessa comédia dramática, a protagonista Nadia (Natasha Lyonne) morre repentinamente na noite de seu aniversário de 36 anos, apenas para “ressurgir” no banheiro do apartamento onde está ocorrendo a comemoração. Depois que isso ocorre mais algumas vezes, ela resolve se acalmar e investigar o que pode estar acontecendo.

Apesar dessa premissa, a narrativa de Boneca Russa não está interessada em explicar a mecânica desses acontecimentos, seja por meio de fenômenos sobrenaturais ou ficção científica. O importante aqui é que o ciclo temporal dá a Nadia a oportunidade de refletir sobre a sua vida, sobre as escolhas que ela faz e sobre traumas de infância com os quais ela ainda não lidou de verdade. E para sair dele, ela terá que interromper o ciclo de decisões questionáveis que ela vem tomando ao longo do caminho.

Com uma fantástica atuação de Natasha Lyonne e um rico conjunto de personagens, Boneca Russa é uma celebração da vida, da diversidade, da excentricidade e da tolerância mesmo quando o universo não nos oferece sinais concretos de que dias melhores virão.

3. Veep – 7ª Temporada

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Pra quem ainda não assistiu, basta dizer que a visceral e impiedosa trama política que deveria ter ocorrido em Game of Thrones veio parar na última temporada de Veep.

Se dependesse apenas dos seis primeiros episódios, essa sétima temporada já poderia ser considerada uma das melhores da série. Isso é ainda mais impressionante se levarmos em conta a concorrência que ela vem tendo do mundo real. Quando foi lançada em 2012, Veep tentava mostrar uma versão exagerada e absurda dos corredores do poder nos EUA. Porém, ao longo dos últimos anos, o cenário político no mundo real ficou tão insólito que se tornou quase impossível satirizá-lo.

A solução encontrada pelos realizadores foi incorporar muitos dos eventos da vida real na trama. Um exemplo óbvio disso é a caracterização de Amy (Anna Chlumsky) como porta-voz do destrambelhado congressista Jonah Ryan (Timothy Simons), em uma clara referência às aparições de Kellyanne Conway na televisão para defender ou “esclarecer” (leia-se “reinterpretar”) algumas das falas mais estranhas do presidente Donald Trump.

Mas é o sétimo e último episódio que eleva o material a um nível inesperado mesmo para quem acompanhou todas as outras temporadas. Nele, Selina Meyer (Julia Louis-Dreyfus) mostra o quão longe é capaz de ir para ascender ao “trono” da Presidência dos Estados Unidos, jogando aliados aos leões e fazendo uma série de alianças políticas até então inimagináveis. É um final épico e grandioso para das melhores e mais aclamadas comédias do Século XXI.

2. Fleabag – 2ª Temporada

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Em sua primeira temporada, Fleabag mostrou sua protagonista (interpretada por Phoebe Waller-Bridge) usando todas as artimanhas possíveis para não lidar de forma séria com as consequências de seus próprios atos, resultando em um final trágico e, aparentemente, definitivo. Porém, a segunda temporada consegue a façanha de igualar (ou mesmo superar) a surpreendente qualidade da primeira.

A protagonista volta mais madura e centrada, mas não menos perdida na incerteza de seus trinta e poucos anos. Enquanto tenta reestabelecer os laços com sua família, ela abandona (até certo ponto) seu comportamento auto-destrutivo e começa a relutantemente perseguir um interesse amoroso altamente improvável, mas que funciona na mesma frequência que ela.

Sincera, emocionante e altamente engraçada, essa série é um monumento à genialidade de Phoebe Waller-Bridge (que também é a mente por trás de Killing Eve), cuja escrita e atuação estão acima de quaisquer outras comédias dramáticas já feitas. Fleabag faz o melhor uso já visto da quebra da quarta parede, tornando o espectador cúmplice de seus planos e participante de suas conversas, provendo uma experiência televisiva poucas vezes igualada.

1. Chernobyl

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Chernobyl poderia ser uma simples dramatização do maior desastre nuclear da História, mas o criador e roteirista Craig Mazin e o diretor Johan Renck escolheram um gênero bem específico para essa minissérie: o terror psicológico. Essa não é uma escolha meramente estética, mas sim necessária. A história do acidente nuclear de Chernobyl merece ser contada não por ser interessante ou grandiosa, mas sim para servir de aviso para uma humanidade que muitas vezes se considera infalível.

O terror aqui emerge não apenas da reação de fissão nuclear ocorrendo a céu aberto, mas também de como as autoridades soviéticas lidam com a crise, focando em aspectos diplomáticos e de relações públicas ao invés de priorizar a segurança de seus próprios cidadãos. Enquanto um fenômeno físico que jamais havia ocorrido na face do planeta ameaça acabar com parte da civilização, políticos e espiões concentram seus esforços no controle da narrativa, ignorando o fato de que não sobrariam muitas pessoas para quem mentir caso o desastre saísse completamente de controle.

Mas a série não ignora os dramas vividos pelas pessoas cujas vidas foram destruídas pelo desastre, ou mesmo os esforços dos homens e mulheres que tiveram que colocar o próprio bem-estar em segundo plano para evitar uma catástrofe de nível global. São tocantes os momentos nos quais os protagonistas Valery Legasov (Jared Harris) e Boris Shcherbina (Stellan Skarsgård) precisam lidar com a própria mortalidade e aceitar o fato de que os esforços deles não são em prol de ganhos pessoais, mas sim para garantir um futuro para a humanidade.

O afiadíssimo roteiro e as impressionantes atuações apenas ampliam o impacto de uma história que é inerentemente dramática e aterrorizante. Na prática, esse é um desastre que ainda está em andamento, pois a usina nuclear de Chernobyl segue sendo um dos lugares mais radioativos do planeta.