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Crítica: Power

Project Power, EUA, 2020


Power é muito bom como duas horas de passatempo, mas não empolga como deveria dado o seu conceito e o seu elenco

★★★☆☆


Power é um bom filme de ação, mas falha em explorar seu conceito até as últimas consequências, como foi feito no ótimo The Old Guard (crítica aqui). Como não há grandes batalhas entre pessoas superpoderosas, tudo o que sobra é um mediano thriller policial com alguns superpoderes envolvidos. Se não fosse pelos esforços do elenco estelar e pela ótima atuação de Dominique Fishback, o filme poderia ter sido decepcionante.

Os personagens em si são bem escritos, mas a história é um tanto previsível. Jamie Foxx e Joseph Gordon-Levitt elevam o nível do material com performances que capturam a atenção e mantêm os espectadores engajados. Além disso, os relacionamentos entre seus personagens e a adolescente interpretada por Fishback são mais genuínos e intensos do que se poderia esperar desse tipo de filme.

Do outro lado, o caricato vilão interpretado por Rodrigo Santoro tinha potencial e poderia ter sido melhor aproveitado em uma grande batalha final. Ao invés disso, o roteiro o tira de cena antes do clímax e deixa o antagonismo por conta de uma vilã ainda mais caricata e genérica, interpretada por Amy Landecker. São vilões dignos de “episódio da semana” daquelas séries de ação mais despreocupadas com plausabilidade e profundidade.

Um dos melhores aspectos da produção é a utilização não apenas da arquitetura mas também dos contextos social e histórico da cidade de Nova Orleans. A população pobre e marginalizada é utilizada como cobaia da droga power, que dá cinco minutos de superpoderes para a maioria dos usuários, enquanto outros morrem imediatamente. O fato de que isso é feito com autorização do governo lembra tanto o envolvimento da CIA com o tráfico de drogas (abordado em filmes como O Mensageiro e Feito na América) quanto a negligência do governo americano na resposta ao Furacão Katrina, para o qual a ajuda emergencial demorou cinco dias para chegar.

Power possui todos os ingredientes necessários para se fazer um grande filme de ação, mas, infelizmente, a produção não os mistura da forma correta e o resultado fica aquém de seu potencial. O filme não é ruim e algumas das sequências de ação são muito boas, mas não boas o suficiente para torná-lo verdadeiramente empolgante. O final deixa um gancho para uma possível continuação, mas dificilmente haverá muitas pessoas aguardando ansiosamente por ela.