Crítica: Assassin’s Creed

Assassin’s Creed, EUA, 2016


Ótimas cenas de ação não conseguem salvar roteiro decepcionante

★★★☆☆


Nessa aguardada adaptação da popular série de jogos, o prisioneiro Callum Lynch (Michael Fassbender) é raptado pela versão moderna da Ordem dos Cavaleiros Templários, que pretende extrair, a partir de seu DNA, memórias de seu distante ancestral, Aguilar (também interpretado por Fassbender), um importante membro do Assassins Creed (Credo dos Assassinos, em tradução livre). O filme traz para as telas do cinema toda a estilosa ação típica dos jogos, mas falha em adaptar a história para algo aceitável nessa mídia. O problema está menos no fato de essa ser uma adaptação de vídeo games (conhecidas por serem decepcionantes no geral), mas mais no grande esforço que o estúdio faz para repetir o sucesso da franquia nos cinemas.

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Uma imbatível ordem de assassinos que está na ativa há muitos séculos? Uau, legal! Uma tecnologia que extrai memórias genéticas exatas do que aconteceu em um determinado dia do século XV? Exagerado, mas o filme não é exatamente baseado em fatos reais, certo? Uma maçã mística/sagrada que contém a raiz do livre arbítrio humano codificada em DNA e que pode ser usada para acabar com as tendências violentas da humanidade? Ok, você me perdeu na parte da “maçã mística/sagrada”. Há aqui um grave problema de excesso de história, pois, enquanto as cenas de ação podem ser consideradas inovadoras e divertidas, a história não faz o menor sentido nos mais diversos níveis.

Mesmo o objetivo de fachada dos templários, que é o de acabar com as tendências violentas da humanidade, não parece fazer muito sentido e fica rapidamente cansativo para o espectador. Quando esse objetivo é revelado como algo mais fascista do que pacífico, ainda é muito pouco, e muito tarde. O roteiro é tão confuso que mesmo nesse momento o espectador não tem muita certeza do que está acontecendo. Quanto mais os personagens explicam suas motivações, mais confusa a narrativa fica. O grande alívio são as cenas de ação que se passam em 1492, que poderiam facilmente compor 100% do filme.

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O excesso de história de Assassins Creed é bem menos irritante do que, por exemplo, os excessos de Jack Reacher – Sem Retorno, mas ainda assim consegue diminuir o impacto do que poderia ser uma ótima experiência cinematográfica. São nos momentos finais que fica claro o motivo de tanta complexidade desnecessária: ao invés de um grande clímax, o filme entrega um grande cliffhanger, deixando claras as aspirações que o estúdio tem de construir uma rentável franquia cinematográfica (o que, dado esse capítulo inicial, espero que não aconteça). Ao invés de uma grande conclusão, o espectador fica com um assassinato que poderia ser mais impactante, enquanto um dos principais antagonistas, McGowen (Denis Ménochet), o chefe de segurança da empresa que sequestra Lynch e provável descendente da Cavaleiro Templário Ojeda (Hovik Keuchkerian), fica em pé na rua com cara de bobo ao lado da personagem de Marion Cotillard.

Ainda assim, Assassins Creed é um bom filme que merece ser assistido pela suas cenas de ação, ainda que elas não sejam suficientes para os espectadores mais exigentes. Mesmo seu elenco estelar (que inclui Cotillard e Jeremy Irons), não consegue salvar uma história que é, acima de tudo, medíocre e confusa. Se tivesse focado na ação e em uma história mais simples e enxuta, o estúdio certamente teria em mãos uma franquia respeitável, ao invés de um filme incompleto que no máximo renderá um franquia B, como Resident Evil ou Underworld.