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Crítica: Maligno

Malignant, EUA, 2021


Com Maligno, James Wan apresenta uma grande mistura de subgêneros que não é para todos os gostos

★★★★☆


É perfeitamente compreensível que uma boa parte do público irá odiar Maligno, mas eu posso apenas lamentar por essas pessoas. Nessa nova produção, James Wan vai até as últimas consequências para integrar a maior quantidade possível de subgêneros do terror e surpreender o público com uma completa insanidade. O diretor abandona as amarras do bom senso e parte para um “tudo ou nada” cinematográfico que é tão perturbador e tão divertido quanto alguns dos maiores clássicos do gênero.

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Marcada por alguns exageros, a cena inicial de Maligno já dá sinais de que o filme não pretende se levar tão a sério quanto as produções anteriores do diretor. Ainda assim, a trama se inicia no melhor estilo Invocação do Mal, mostrando que a vida da protagonista Madison (Annabelle Wallis) já não ia muito bem mesmo antes de uma entidade maligna começar a assombrá-la. Além do estilo convencional de Wan, a maior parte do filme também lembra produções como Quando as Luzes se Apagam (crítica aqui) e O Babadook.

O diretor parece mais confortável do que nunca no uso de luz, sombras, enquadramentos e trilha sonora tanto para criar tensão quanto para dar sustos no espectador. O resultado é uma combinação perfeita entre seus trabalhos anteriores e os filmes que serviram como inspiração, como o já citado Quando as Luzes se Apagam (que também foi produzido por Wan) e os clássicos do terror dos anos 1970 e 1980. Se a recente Trilogia Rua do Medo serviu para homenagear um subgênero específico, Maligno passeia por todos os subgêneros do terror sem maiores dificuldades, mostrando toda a versatilidade do diretor em um único filme.

A história de Maligno poderia seguir muitos caminhos convencionais, mas o terceiro ato faz uma curva um pouco mais… ousada. O grande mistério aqui é qual exatamente seria a conexão entre Madison e a entidade maligna. As pistas vão sendo mostradas ao longo da trama e lá pela metade o espectador já é capaz de deduzir a absurda explicação. O problema é que ela é tão exagerada que nosso instinto inicial é descartá-la, mesmo quando novas pistas apontam naquela insólita direção.

maligno 2Uma vez que a grande revelação é feita, o atordoado espectador ainda precisa lidar com violentas e aterrorizantes cenas de ação, com a entidade enfrentando abertamente todos os personagens sobreviventes. É uma perfeita mistura do clássico O Enigma de Outro Mundo com o hilário Arrasta-me Para o Inferno, deixando o espectador sem saber se tampa os olhos ou se dá risada, nem que seja de nervoso. Essa é uma das características do subgênero conhecido no Brasil como terrir, que, além de Arrasta-me Para o Inferno, inclui filmes como O Segredo da Cabana, Werewolves Within (crítica aqui) e até o ato final de Midsommar (crítica aqui).

Além do terrir, Maligno também inclui terror psicológico, gore, trash, slasher e body horror. Há também os momentos sobrenaturais, com uma casa aparentemente mal-assombrada e uma possessão demoníaca. É um verdadeiro banquete de terror que vai agradar a quem realmente conhece o gênero e decepcionar quem estava esperando uma experiência mais previsível e controlada.

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