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Crítica: Kate

Kate, EUA, 2021


Com muitos tiros e luzes de neon, ação e estilo são muito bem equilibrados na Tóquio de Kate

★★★☆☆


O maior problema de Kate é que o filme é mais longo e possui mais diálogos do que o ideal. Fora isso, esse é um bem executado filme de ação genérico, que funciona mais do que decepciona. Depois de tentativas questionáveis como Gunpowder Milkshake (crítica aqui) e Jolt: Fúria Fatal (crítica aqui), a Kate de Mary Elisabeth Winstead dá uma recuperada na reputação das heroínas de ação. O que faz a diferença aqui é que o roteiro não é problemático a ponto de prejudicar a suspensão da descrença.

kate 2Não é que Kate seja super-realista ou super-coeso. Apesar dos vilões terem a pontaria absurdamente ruim e claramente esperarem a protagonista ter a chance de desviar ou se defender, tanto as cenas de luta quanto os tiroteios são razoavelmente bem coreografados. Além disso, tanto a ambientação em Tóquio quanto a estilização da produção são muito bem integradas à história, misturando estilos japoneses do presente e do passado em uma trama no submundo da Yakuza.

Outro ponto de destaque é que o envenenamento da protagonista é relativamente realista. Com menos de 24h de vida para encontrar o responsável e vingar sua inevitável morte, Kate vai mostrando claros sinais de síndrome aguda da radiação, como vômitos e hemorragias. O veneno de polônio utilizado contra ela é semelhante ao que foi utilizado na vida real para matar o ex-espião russo Alexander Litvinenko, que recebeu todo o tratamento necessário e ainda assim morreu menos de trinta dias após o início dos sintomas.

A premissa do assassino profissional que tem menos de uma dia de vida restante já foi melhor utilizada em filmes como Adrenalina (2006) e Um Dia Para Viver. No primeiro, o resultado é uma insana e intensa comédia de ação que explora os limites do bom gosto, além de render uma ainda mais insana e intensa continuação, intitulada Adrenalina 2: Alta Voltagem. Já Um Dia Para Viver é muito mais um thriller político com toques de drama e com ótimas cenas de ação. Ainda assim, Kate é uma válida adição a esse “sub-subgênero”.

kateO roteiro de Kate tenta ser mais profundo e reflexivo do que o necessário, mas pelo menos ele não corre o risco de ser tão superficial quanto os do já citados Jolt: Fúria Fatal e Gunpowder Milkshake. O material é consideravelmente elevado por várias das performances, com destaques para as atuações de Woody Harrelson, Tadanobu Asano e Jun Kunimura. Winstead, por sua vez, se destaca muito mais pelo carisma e por nos fazer acreditar que uma pessoa à beira da morte está realmente participando de lutas e tiroteios auxiliada apenas por medicamentos estimulantes e pela adolescente Ani (Miku Patricia Martineau).

No geral, Kate oferece tudo o que um bom filme de ação genérico precisa oferecer, apesar de seu segundo ato ser mais lento do que o esperado. Não é nada muito marcante ou inesquecível, mas certamente é capaz de garantir um pouco mais de uma hora e meia de entretenimento (o tempo de duração oficial é de 1h46m, mas são mais de 10 minutos de créditos finais).

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