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Crítica: The Umbrella Academy – 2ª Temporada

The Umbrella Academy, EUA, 2019


Segunda temporada de The Umbrella Academy mantém todas as qualidades e se livra dos defeitos da primeira

★★★★☆


A segunda temporada de The Umbrella Academy apresenta muitas melhorias em relação à primeira, e a principal delas está na qualidade narrativa. Com episódios mais curtos e mais focados, o ritmo da história jamais fica arrastado como em alguns momentos da primeira temporada, mesmo nos arcos dramáticos secundários que só compensam de verdade nos episódios finais.

O outro grande destaque é a ambientação da trama, na Dallas de 1963. Não se trata apenas da deslocação no tempo, mas também da forma como isso é feito e como os elementos históricos do período são utilizados na narrativa. Depois do final da primeira temporada, os personagens são espalhados ao longo da década de 1960, entre os anos de 1960 e 1963. Quando finalmente se reúnem em 1963, precisam lidar com (mais um) apocalipse, que vai ocorrer em questão de dias e parece estar ligado ao assassinato de JKF.

Enquanto Luther (Tom Hopper) está trabalhando para o contraventor Jack Ruby (John Kapelos), Allison (Emmy Raver-Lampman) já está casada e envolvida no movimento dos direitos civis. E enquanto Diego (David Castañeda) planeja evitar que Lee Harvey Oswald cometa seu famoso crime, Klaus (Robert Sheehan) está mais preocupado em escapar da seita que ele mesmo criou e liderou no últimos anos, e que funcionava nos moldes da Família Manson.

O grande atrativo da primeira metade da temporada é ver os sete irmãos se reencontrando aos poucos à partir da chegada de Cinco (Aidan Gallagher), até a primeira reunião geral no quinto episódio. Já na segunda metade, a história chega no seu ponto alto em uma fantástica sequência de episódios facilmente “maratonáveis”. Além da ação e da comédia, os episódios também fazem ótimos flashbacks que revelam mais aspectos da complexidade emocional da família. Esse é um dos pontos positivos da primeira temporada que continuam muito bem aqui.

O mundo de The Umbrella Academy pode ser fantasioso, mas os dramas e traumas com os quais seus protagonistas têm que lidar são bem realistas e adultos. A subtrama de Vanya (Ellen Page), que está sem memória e trabalhando como babá em uma fazenda, é o principal exemplo disso. Dentre os sete irmãos adotivos, ela foi a que mais sofreu com as “excentricidades” do insensível pai Reginald Hargreeves (Colm Feore), pois se ele já era ruim para lidar com crianças em geral, ele era pior ainda para lidar com uma criança cujos poderes pareciam incontroláveis.

E é no meio desses traumas de infância e dramas familiares que os sete irmãos precisam dar um jeito de deixar as diferenças de lado e mais uma vez salvar o mundo. Nessa temporada, a série lembra mais do nunca alguns dos melhores momentos da franquia X-men no cinema, especialmente os filmes X-Men: Primeira Classe, que se passa nos anos 1960, e X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (crítica aqui), que possui uma trama de viagem no tempo. Outra parte dessa franquia que vem à mente é a terceira temporada de Legion, especialmente depois que Vanya consome uma dose de LSD.

A série também conta com uma ótima e impiedosa vilã na figura da Gestora (Kate Walsh), que certamente merece voltar nas próximas temporadas. Já a inclusão de Lila (Ritu Arya) é justificável mais pela expansão que ela causa no universo da série do que pela profundidade da personagem em si. Os três assassinos suecos Axel (Kris Holden-Ried), Otto (Jason Bryden) e Oscar (Tom Sinclair), por sua vez, cumprem seus papéis relativamente bem como sucessores de Hazel (Cameron Britton) e Cha-Cha (Mary J. Blige), ainda que nem tentem replicar a divertida dinâmica que a dupla possuía.

Uma das maiores surpresas dessa temporada é a impressionante e irreverente trilha sonora, que está ainda melhor do que a da primeira e conta com ótimos covers de canções como Hello, Bad Guy, Wicked Games e Crazy. A série também usa letras dos Backstreet Boys e do grupo TLC de forma hilária, além de contar com as versões originais de músicas como Major Tom e In Hell I’ll Be In Good Company.

Graças às várias melhorias, essa temporada de The Umbrella Academy pode impressionar positivamente mesmo quem não gostou muito da primeira e está precisando de um divertido passatempo. Felizmente, o episódio final deixa um gancho para uma terceira temporada que pode ser tão original e inventiva quanto essa, deixando as expectativas dos fãs nas alturas.