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Crítica: Ava

Ava, EUA, 2020


Ava é um filme de ação genérico e deve agradar quem não estiver com altíssimas expectativas

★★★☆☆


Ava se encaixa facilmente na categoria de “filmes de ação genéricos” e oferece uma boa hora e meia de ação, drama e suspense para quem não está procurando nada muito grandioso ou elaborado. Jessica Chastain mais uma vez mostra sua dedicação em interpretar mulheres fortes e psicologicamente complexas, como em Armas na Mesa (crítica aqui) e A Grande Jogada (e em boa parte da filmografia da atriz na última década). A Ava interpretada por Chastain mereceria até sua própria série de ação, nos moldes de Jessica Jones ou Queen Sono.

A trama sobre uma assassina profissional que é traída por seus chefes e precisa lutar pela própria vida é comum a filmes como A Toda Prova e Projeto Gemini (crítica aqui). Mas Ava também inclui um complicado drama familiar e pessoal que é inserido na trama de forma surpreendentemente equilibrada. Com tantos elementos diferentes, seria razoável esperar um completo caos narrativo, mas o diretor Tate Taylor dá um jeito de incluir tudo isso na trama sem torná-la cansativa para o espectador. O filme está longe de ser perfeito, mas também não é uma decepção do nível de O Ritmo da Vingança (crítica aqui).

As cenas de ação não são muitas e nem são muito memoráveis, mas são boas e longas o suficiente para manter o espectador entretido e curioso pelo que está por vir. Dado alguns de seus próximos projetos, como 355 e The Division, Chastain dá sinais de estar interessada em se tornar uma estrela de ação, mas ela ainda tem um longo caminho a percorrer até alcançar a fantástica Charlize Theron, de filmes como Atômica e The Old Guard (crítica aqui).

Ava também é ajudado pela presença de nomes como John Malkovich e Colin Farrell, que contam com sua própria subtrama e ajudam a dar credibilidade para o mundo de assassinos profissionais no qual a protagonista está inserida. Malkovich já havia feito o mesmo pelo thriller de ação e espionagem Conspiração Terrorista, que é tão bom quanto Ava. Assim como A Toda Prova, os dois filmes contam com um enredo cheio de mentiras e traições boas o suficiente para manter o interesse do espectador.

O filme também conta com Geena Davis, um injustiçada estrela de ação dos anos 1990. Ela teve sua carreira prejudicada simplesmente porque os executivos e parte do público não gostavam de filmes de ação estrelados por mulheres. Na época, um filme de ação com protagonista feminina tinha que estar muito acima da média (como os das franquias Alien e Exterminador do Futuro) para dar o necessário retorno financeiro aos estúdios. Como os intensos e divertidos Despertar de um Pesadelo e A Ilha da Garganta Cortada foram fracassos de bilheteria, tanto a atriz quanto outras heroínas de ação ficariam um bom tempo longe dos cinemas. A participação de Davis serve como um sinal de reconhecimento da parte de Chastain, que também é uma das produtoras de Ava.

O filme deixa alguns ganchos para continuações, mas, dado o provavelmente baixo retorno financeiro que a produção dará nesses tempos de pandemia, isso fica bem difícil. Nos tempos atuais, Ava faz mais sentido como um filme para serviços de streaming e não para a tela grande. De qualquer forma, o universo e a personagem apresentados são dignos de continuações, desde que elas sejam feitas levando em conta o escopo limitado da possível franquia.