Crítica: Amantes Eternos

Only Lovers Left Alive, Reino Unido/Alemanha, 2013


Ainda que morno, romance faz jus à premissa dos vampiros eternamente apaixonados

★★★☆☆


Mais do que uma história de amor, Amantes Eternos faz uma tranquila viagem por um determinado momento na vida do casal de vampiros Adam (Tom Hiddleston) e Eve (Tilda Swinton). Fugindo do convencional, o filme não tenta mostrar uma “linda” ou “trágica” trajetória do casal, mas sim em que ponto eles chegaram após séculos de união. A longevidade deles torna diferente não apenas como veem o mundo, mas também como se relacionam. Nem o tempo nem a distância são capazes de diminuir o nível de intimidade entre os dois, mas a relação entre eles e o mundo não é tão resistente assim.

Frustrado com a maneira com a qual os humanos normais (chamados por eles de “zumbis”) conduzem a civilização, Adam acaba caindo em uma melancolia profunda o suficiente para fazê-lo pensar em tirar a própria vida. Percebendo os humores do amado, Eve vai a seu encontro para descobrir o que o incomoda e ajudá-lo a passar por aquela situação. Deixando seu lar em Tangier, ela o encontra em Detroit, uma cidade devastada por um longo declínio econômico e quase abandonada, morada ideal para um ex-astro do rock recluso e anti-social. É assim que Adam é conhecido para o mundo, e essa é a deixa ideal para o breve passeio musical que eles fazem pela cidade, que já foi conhecida como “A Cidade do Rock.” Não espere aqui cenas de vampiros caçando suas presas ou outros elementos de filmes de terror. Eles conseguem o sangue que precisam de hospitais ou por outros meios não violentos, recorrendo apenas à corrupção de funcionários menos escrupulosos. Isso permite que o filme seja mais sobre um casal que está junto há muito tempo do que sobre um casal de vampiros.

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O tom melancólico, a atmosfera cool e a ótima trilha sonora fazem com que o filme seja agradável de se assistir, mas seu caráter episódico faz com que esses elementos fluam com menos naturalidade do que se poderia esperar. O ótimo elenco é outro elemento que torna o longa altamente assistível. Ver Tom Hiddleston e Tilda Swinton interpretando um gótico e melancólico casal de vampiros apaixonados é certamente um ótimo atrativo, e eles não decepcionam. Além disso, a passagem da ótima Mia Wasikowska é divertida e oferece um ótimo contraponto ao soturno casal. Ela interpreta Ava, a sexy, impulsiva e inconsequente vampira irmã de Eve. Mesmo aqui não há nenhum violento conflito entre os seres da noite, e eles lidam com ela como se lida com um familiar que está sendo inconveniente. Para completar, temos John Hurt como o escritor elisabetano Christopher Marlowe, figura histórica que é aqui incorporada como um vampiro que é grande amigo do casal. Essa personagem acaba sendo menos interessante que Ava, mas também cumpre seu papel na história.

No ato final, o casal é obrigado a encarar a realidade dos novos tempos e a real perspectiva de que eles também irão perecer. Nesse ponto, a melancolia também já tomou conta de Eve, mas isso não quer dizer que eles ficarão sentados esperando o fim. Sempre juntos, eles apenas voltam a praticar velhos costumes.