Crítica: A Última Ressaca do Ano

Office Christmas Party, EUA, 2016


Filme não decepciona, mas também não explora todo seu potencial

★★★☆☆


Em A Última Ressaca do Ano, os responsáveis pela filial de Chicago de uma grande empresa de TI resolvem fazer uma comemoração de fim de ano mais “animada” que o normal. O objetivo é impressionar um possível cliente e fechar um contrato milionário, o que salvaria as finanças da filial e o emprego de 40% dos funcionários. Porém, a comemoração sai de controle e eventos cada vez mais imprevisíveis e hilários vão correndo. O filme é muito engraçado, mas enfraquece quando deixa a festa de lado e se concentra em dar um final feliz e sentimentalista ao que poderia ser uma narrativa absolutamente selvagem até o último momento.

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Baseado em uma esquete do Saturday Night Live, e com um elenco repleto de ótimos comediantes, o filme garante muitas risadas desde os momentos iniciais. Passada a necessária introdução e a rápida preparação da festa, tem início uma típica reunião de fim de ano em ambiente corporativo, que, entretanto, vai gradualmente ficando mais agitada até chegar ao ponto no qual se torna a balada mais insana da cidade, o que atrai uma multidão de desconhecidos para o prédio. Há aqui um ótimo ritmo narrativo, o que faz com que essa absurda evolução da festa flua com certa naturalidade.

Existem diversas subtramas bem divertidas com alguns dos coadjuvantes, inclusive uma que acaba atraindo perigosos criminosos ao local e resulta em um sequestro cuja resolução domina boa parte do ato final da produção. Até o ponto do sequestro, o filme é uma das melhores comédias do ano. Porém, o ato final abandona a festa e se preocupa demasiadamente não apenas em resolver o sequestro, mas também em resolver os problemas financeiros da empresa, o que leva a um blábláblá tecnológico sem muito sentido e pontuado por piadas fracas e previsíveis. O que incomoda aqui não é que os acontecimentos sejam inverossímeis, mas sim o fato de que todo esse arco não adiciona nada ao tema central da trama. Em outras palavras, a vida financeira da empresa funciona muito bem como motivador da festa, mas não como problema central a ser resolvido no filme. Em uma narrativa como essa, o final poderia ser bem mais simples e, porque não, idiota. Se for simples e inteligente, melhor ainda.

Independente dessas falhas, A Última Ressaca do Ano garante boas risadas (para quem curte esse estilo de humor, é claro) e é quase tão intenso quanto promete ser. Não é nada imperdível ou inteligente, mas é um entretenimento razoável e ótimo para passar o tempo.